Vida de Artista I
Depois de uma manhã atarefada em cantorias (pois que parece que, ao contrário do nosso caro Emanuel, eu teimo em ser daqueles/daquelas que estuda quatro horas por dia... No mínimo... Ou tento, não estivéssemos nós no Portugal dos "Piquininos"), dou por mim em amena cavaqueira (discussão altamente pragmática em torno do bel canto...) num cafezinho simpático bem perto do Conservatório.
E eis que dou conta de que a televisão está ligada e de saúde e teima em vomitar cá para fora uma algaraviada que, a princípio, não consigo descortinar... Momentos mais tarde dou-me conta de que parece ser uma espécie de eliminatória de um programa denominado Ídolos (cenas à Carnasic...) composto por um júri de quatro (são quatro?!) elementos, no mínimo suspeitos. A verdade é que só conheço um deles (parece que era rebento de um compositor...) e os restantes são uma incógnita na minha mente. Acho no mínimo estranho! Então uma pessoa sai do mercado há quatro anos e já não conhece quem manda (e desmanda) no mercado da música dita ligeira?! Isto faz ainda menos sentido quando me apercebo de que a malta não é assim tão nova... Por onde andaram estes pretensos jurados?
A verdade é que já tinha ouvido falar do programa assim por alto... E da falta de respeito que por lá abunda... Da falta de humildade de quatro parolos que, se tivessem feito alguma coisinha interessante da vida, não estavam neste momento a fazer figuras tristes no ecrã nem a achincalhar quem, a maior parte das vezes, de boa-fé acredita que este tipo de programas pode ser o salto... Por acaso até o são, mas geralmente para o abismo... Faz-me lembrar um desses tipos do futebol que dizia que o clube estava à beira do dito... Mas tinha dado o passo em frente...
A malta é nova e até é uma experiência positiva a participação neste tipo de concursos! Nem que seja para se aperceberem de quão oco e pretenso pode ser o mundo que vive à volta (e muitas vezes nas entranhas) deste tipo de música! Nem que seja para concluírem que, mais importante que ter e parecer (e aparecer) é SER!!! E espero sinceramente que a maior lição que possam tirar disto é de que não devem levar as opiniões dos outros tão a sério... Pelo menos não as de quatro frustrados que são pagos para serem mal-educados a fim de gerarem alguma polémica e fazer subir os níveis de audiência. No fundo, o que deve ditar a escolha de uma carreira é a escuta interior daquilo que se deseja... Claro que, se 90% dos vizinhos fecha as janelas quando "o people" canta... O melhor é começar a escutar outra coisa qualquer no coração. E de preferência que não seja "Deixei tudo por ela, deixei, deixei!"... Esses abundam como os cogumelos... E, como toda a gente sabe, os cogumelos são "de-compositores"...
