25 Anos de João Paulo II
Dei por mim a ler o artigo na Visão Online acerca dos 25 anos de papado de João Paulo II. Ecumenismo para aqui, perdões para acolá (não desfavorecendo esta sua faceta progressista) e eis que vou dar, já no fim da terceira página (é que tenho uma compulsão para imprimir artigos), com uma das últimas polémicas em que João Paulo II se viu envolvido. Pois que o representante máximo da Igreja Católica apelou, em finais de Janeiro de 2003, aos advogados católicos, que recusassem tratar de casos de divórcio!...
Diálogo hipotético:
Leigo: E eu pergunto porquê?
Sacerdote: É que parece que há divórcios a mais...
L: Mas o divórcio é o término de um contrato civil, não?
S: Hã...
L: Se bem me lembro, a Igreja não reconhece o divórcio porque numa cerimónia religiosa, para além do contrato civil, também se celebra um Sacramento!
S: Pois!
L: E então? Duas pessoas não podem dar por terminado um contrato que celebraram entre si?
S: Sim, mas não o Sacramento!
L: Ah, bom! E quem administra o Sacramento? O padre, não?
S: Claro!
L: Então... Mas o advogado, quer seja católico ou não, põe o fim desejado a um contrato civil, não ao Sacramento! Ou seja, o Homem separa o que o Homem uniu! Até porque a Igreja não reconhece a separação de dois entes que celebraram o Sacramento... Excepto em caso de anulação. E por último... Onde está a liberdade de escolha do indivíduo no meio de tudo isto?
S: Então, mas a liberdade está no acolhimento dos preceitos de Deus!
L: Sim, para quem acredita! Mas se nem Ele interfere nas nossas escolhas pessoais, por mais representante directa que a Igreja possa ser, não o substitui! Então, onde está a justificação para esta quase imposição (não chega a sê-la, mas também a Igreja enquanto instituição já viu melhores dias, não? Isto no tempo da Inquisição é que era bom...)? O corpo da Igreja são as pessoas, todas as pessoas, que a compõem! E essas pessoas têm necessidade de uma Igreja que as apoie e acompanhe, não de uma instituição alienada e alienante! É que qualquer dia há farmácias católicas (nem comento a designação) a proibirem a venda de determinados medicamentos! E quando chegar a isto...
É por estas e por outras que dou por mim a concordar com um amigo meu... A ida a Roma faz-se uma vez na vida... Que é para não perder a fé...
