Impressionante!
E comovedor também. Sempre me fascinou a passagem do tempo e as marcas indeléveis que esse malvado khrónos deixa em nós. Talvez por isso guarde tão religiosamente juntinhas as minhas fotografias “tipo-passe” desde os 10 anos, como se esse fio condutor me ligasse (ainda que precária e fragmentariamente, porque de imagens e não de um contacto humano se trata) à vida (eu, que tanto dela fujo). À falta de um cordão umbilical (ser órfã de mãe desde os quatro anos é no que dá), as fotografias substituem recordações que não poderemos nunca ouvir contadas pela voz materna.
Mas seria impossível fazer o que esta família argentina fez. É que, segundo alguns amigos (Trutinha Azul incluída), é impossível reconhecer-me de um ano para o outro nessas fotografias. E não se trata de envelhecimento... é que sou mesmo camaleónica! E sem o querer. Talvez por ser tão “atmosférica” mude espontaneamente de aspecto para iludir quem, em vão, me tentar agarrar.
Esta família é muito bonita. Comovo-me ao percorrer verticalmente com o olhar a página e constatar as mudanças nos pais, o crescimento dos rapazes... Não sei se vos acontece o mesmo. Ou sou eu que estou a ficar velha, não sei...
Talvez um destes dias edite aqui as minhas fotografias dos 10 anos até ao presente, para verem se tenho ou não razão!
Cada dia
Cada dia é mais evidente que partimos,
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudade nem terror que baste.
Sophia de Mello Breyner Andresen
