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sexta-feira, outubro 31, 2003

Miséria do mundo

Toda a miséria do mundo em meia dúzia de cães enrolados sobre si mesmos ao vento, à chuva, ao frio.
Todo o protesto mudo da miséria num olhar doce, numa cauda baixa, num pêlo cor de lama.
Cão-ensopado
Cão-mastigado
Cão-enxotado
Cão-amarrotado
Cão-ao-açoite-do-mundo
Cão-abaixo-de-cão

Visitantes da semana

À semelhança do que fez o Mata-Mouros, as Trutas vêm eleger os 5 melhores visitantes do mês, que chegaram até ao nosso humilde viveiro através das seguintes pesquisas:

jeitosas;
criterios para hospedeira na tap;
secretario tetas famosa;
fetiche tetas grandes;


e o intrigante
desova Manel carimbo.

A eles, os nossos agradecimentos, voltem sempre, e esperemos que tenham encontrado o que procuravam!

Dia Nacional da Desbrurolrcrlatrlizzaçrlão

Nada melhor, para comemorar o Dia Nacional da Desburocratização (instituído pela Resolução do Conselho de Ministros
n.º 30/90, de 16 de Agosto), do que pôr a Presidência do Conselho de Ministros a emitir um Despacho Normativo (n.º 44/2003, de 29 de Outubro), ao abrigo do n.º 2 do artigo 12.º do Decreto-Lei n.º 170/99, de 19 de Maio, e do despacho n.º 13 703/2002, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 138, de 18 de Junho de 2002, para que a INCM possa emitir o Diário da República de dia 30 de Outubro... com a cor verde!

Se tudo fosse assim tão simples!...

quinta-feira, outubro 30, 2003

Hoje ouvi o nosso Manel a falar na rádio

... estavas tão giro, Manel!

quarta-feira, outubro 29, 2003

No es más

por selva oscura...

Un poema no es más
que una conversación en la penumbra
del horno viejo, cuando ya
todos se han ido, y cruje
afuera el hondo bosque; un poema

no es más que unas palabras
que uno ha querido, y cambian
de sitio con el tiempo, y ya
no son más que una mancha, una esperanza indecible;

un poema no es más
que la felicidad, que una conversación
en la penumbra, que todo
cuanto se ha ido, y ya
es silencio.


Eliseo Diego

Fedorentos!!

Gostaria de saber (e não devo estar sozinha nisto) o que se passa com estes fedorentos!...
Passam-se dias e dias sem que haja um poste novo e, quando o há, é quase sempre uma reprodução dos textos publicados n' O Inimigo Público! Não lhes passará pela cabeça que há muuuuita gente que lê o Público e também o blogue?

Isto começa a não me cheirar bem...

Mujer Gorda
una señora que podría ser tu madre


Recomendo bastante este blog! Com muita ternura, muita asneira, muita coloquialidade e, sobretudo, muito humor, Mirta apresenta-nos as peripécias diárias da sua família - uma família igual a tantas outras por essa Argentina fora: hoje há para comer, amanhã logo se vê.

Não nos vamos nós revendo cada vez mais nisto?
Explorem! (Há retratos e tudo.)

Catedral de Santa Bola

Meus amigos, neste Sábado que passou, houve, em Lisboa, na igreja de São Roque, às 21h30, um concerto de celebração dos 25 anos do pontificado de João Paulo II, promovido pela delegação portuguesa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. Para este evento foram convidadas inúmeras personalidades públicas e eclesiásticas, bem como membros do corpo diplomático. Acima de todos estes convidados (no contexto em que falo, evidentemente), estava o Cardeal Patriarca. Não foi – e perdeu um belíssimo concerto, digo-vos já. Onde estava ele nesse dia? Patrocinando essa outra religião nacional. Exactamente, adivinharam: a benzer o novo estádio do Benfica!

Ora, ajudem-me lá a raciocinar: eu não sou católica, nem pró-papa, nem nada disso, mas parece-me que não é necessário sê-lo para se perceber que o lugar desse senhor, nessa noite, era no concerto. Não sei, posso estar enganada... Digam lá qualquer coisa...

Resumindo: isto brada aos céus! (Porque o futebol fala sempre mais alto neste país.)

terça-feira, outubro 28, 2003

Sondagem The Amazing Trout Blog

The Amazing Trout Blog lança aqui a questão. O Primeiro Ministro foi vaiado na inauguração do novo estádio do Benfica porque:

a) O país se encontra numa crise nunca vista (1/4
dos portugueses (sobre)vive em condições de
sub-pobreza) e a actuação deste governo, do
qual é o representante, tem sido francamente
MÁ (isto para ser delicado...);

b) O gajo é do Sporting.


Ajuda: O PR também lá esteve, também discursou, também é do Sporting e não foi vaiado...

segunda-feira, outubro 27, 2003

O Meu Pipi!

Li ontem na Pública que as leitoras portuguesas são umas pudicas! A custo admitem ter sequer vislumbrado o livro! Admito já ser uma despudorada! Estive de olhos pregados na montra da Bertrand do Chiado no dia em que o livro saiu, até conseguir ler tudo o que estava na contra-capa! E no El Corte Inglés folheei o livro com evidente gozo e despreocupação! Só os homens é que falam de sexo daquela forma? Talvez... Quem lê apercebe-se imediatamente de que foi um homem a escrever... As mulheres não têm imaginário obsceno e pornográfico? Dá-me vontade de rir...

Pipi, desculpa! Ainda não comprei o livro! Mas vou dando umas "escapadelas" ao teu blog...

25 Anos de João Paulo II

Dei por mim a ler o artigo na Visão Online acerca dos 25 anos de papado de João Paulo II. Ecumenismo para aqui, perdões para acolá (não desfavorecendo esta sua faceta progressista) e eis que vou dar, já no fim da terceira página (é que tenho uma compulsão para imprimir artigos), com uma das últimas polémicas em que João Paulo II se viu envolvido. Pois que o representante máximo da Igreja Católica apelou, em finais de Janeiro de 2003, aos advogados católicos, que recusassem tratar de casos de divórcio!...

Diálogo hipotético:

Leigo: E eu pergunto porquê?

Sacerdote: É que parece que há divórcios a mais...

L: Mas o divórcio é o término de um contrato civil, não?

S: Hã...

L: Se bem me lembro, a Igreja não reconhece o divórcio porque numa cerimónia religiosa, para além do contrato civil, também se celebra um Sacramento!

S: Pois!

L: E então? Duas pessoas não podem dar por terminado um contrato que celebraram entre si?

S: Sim, mas não o Sacramento!

L: Ah, bom! E quem administra o Sacramento? O padre, não?

S: Claro!

L: Então... Mas o advogado, quer seja católico ou não, põe o fim desejado a um contrato civil, não ao Sacramento! Ou seja, o Homem separa o que o Homem uniu! Até porque a Igreja não reconhece a separação de dois entes que celebraram o Sacramento... Excepto em caso de anulação. E por último... Onde está a liberdade de escolha do indivíduo no meio de tudo isto?

S: Então, mas a liberdade está no acolhimento dos preceitos de Deus!

L: Sim, para quem acredita! Mas se nem Ele interfere nas nossas escolhas pessoais, por mais representante directa que a Igreja possa ser, não o substitui! Então, onde está a justificação para esta quase imposição (não chega a sê-la, mas também a Igreja enquanto instituição já viu melhores dias, não? Isto no tempo da Inquisição é que era bom...)? O corpo da Igreja são as pessoas, todas as pessoas, que a compõem! E essas pessoas têm necessidade de uma Igreja que as apoie e acompanhe, não de uma instituição alienada e alienante! É que qualquer dia há farmácias católicas (nem comento a designação) a proibirem a venda de determinados medicamentos! E quando chegar a isto...


É por estas e por outras que dou por mim a concordar com um amigo meu... A ida a Roma faz-se uma vez na vida... Que é para não perder a fé...

O Fado de Bragança

Estive ontem a ler o célebre artigo da Time sobre as "meninas" de Bragança (vol. 162, n.º 15, Outubro de 2003).

Absolutamente incrível...
...
...
... e original esta descrição do que, para um americano, é o fado:

"(...) fado music, a sort of blues-opera hybrid that weaves together vocals and string instruments."

"blues-opera hybrid"... E esta, hã?

(E depois o resto é sobre umas meninas brasileiras que foram trabalhar para Bragança mas, ao que parece, não para cantar fado... Mas estavam muito catitas nas fotografias, usando uns chailes e umas cuecas string. Portanto, já pouco lhes falta.)

Linha verde, sentido Cais do Sodré - Telheiras

Odeio gente. Acotovelam-se, empurram-se, esmagam-se, falam alto, falam mal. Pisam-se, deitam-se olhares mal-encarados, espetam-se e molham-se com os guarda-chuvas, cheiram mal. Dizem asneiras, falam alto, cheiram mal. Comem batatas fritas, bolachas, pipocas, deitam batatas fritas, bolachas, pipocas para o chão. Odeio gente.
Correndo o risco de parecer a psicopata que por vezes sou, dava-me imenso jeito ter uma espadita do Hattori Hanzo.

sábado, outubro 25, 2003

Caros gregos...

"(...) Pitágoras fundou a Irmandade Pitagórica - um grupo de seiscentos seguidores que eram capazes não apenas de compreender os seus ensinamentos, mas que podiam acrescentá-los, criando novas ideias e provas. Depois de ser admitido na Irmandade, cada membro tinha de fazer a doação de todos os seu haveres mundanos para um fundo comum e caso algum membro deixasse a Irmandade, receberia duas vezes o que tinha originalmente oferecido, e uma pedra tumular seria dedicada à sua memória. A Irmandade era uma escola igualitária e incluía várias irmãs. A aluna favorita de Pitágoras era a própria filha de Milo, a bela Theano, e a despeito da diferença de idade, afinal, casaram-se.
Pouco depois de fundar a Irmandade, Pitágoras cunhou o nome filósofo e, desta forma, definiu os objectivos da sua escola. Enquanto assistia aos Jogos Olímpicos, Leão, príncipe de Flius, perguntou a Pitágoras como se descreveria a si mesmo. Este respondeu-lhe: Sou um filósofo, mas Leão, que não conhecia a palavra, pediu-lhe que se explicasse:

A vida, príncipe Leão, pode muito bem ser comparada a estes jogos públicos, pois que na vasta multidão aqui reunida alguns são atraídos pelo lucro e outros são impelidos pelas esperanças e ambições de fama e glória. Mas, entre eles, há uns poucos que vieram observar e compreender o que aqui se passa.
Acontece o mesmo com a vida. Alguns são influenciados pelo amor da riqueza enquanto outros são cegamente levados pela febre louca do poder e do domínio, mas o tipo mais elevado de homem dedica-se a descobrir o significado e o objectivo da própria vida. Procura descobrir os segredos da natureza. Este é o homem a quem eu chamo filósofo, pois, embora nenhum homem seja completamente sábio em todos os aspectos, ele pode amar a sabedoria como a chave dos segredos da natureza.
"

in A Solução do Último Teorema de Fermat, de Brian Singh, Relógio d'Água*


*obras tão boas em encadernações de tão má qualidade!...

sexta-feira, outubro 24, 2003

Voxx

Fica aqui registado o meu agradecimento público (isto contando que o nosso modesto e singelo blogue tenha visitas suficientes para ser considerado público, claro...) ao Crítico. À custa da informação que ele facultou, muito me tenho eu divertido hoje!

BREVEMENTE EM LIVRO!!!

As Profecias do Manel ! E de como elas se concretizam semanalmente n' O Inimigo Público! Nostradamus já era! Depois de O Meu Pipi, As Profecias do Manel é o livro que falta à sociedade portuguesa contemporânea!

Vide post by Manel da Truta named Terço-vivo.


Isto não há direito uma pessoa ter as ideias e depois... Pelo menos citem a fonte...

Ó Manel, isto das profecias... Isto até dava para teres um blog só teu!

Crítica musical (da boa) II

Uma vez que o Crítico teima em continuar a não ir à Gulbenkian, aqui vos deixo um resumo do concerto de ontem.

O programa era interessante: Mozart (Concerto para Violino N.º 3, em Sol Maior), Beethoven (Romances n.ºs 1 e 2) e Hans Rott (Sinfonia em Mi Maior). A obra deste último compositor não é muito conhecida. Parece que ficou maluquinho, foi internado num hospício e morreu com apenas 26 anos de idade. Os intérpretes: Augustin Dumay e a Orquestra Gulbenkian. Dirigidos pelo maestro Michael Zilm...
...
...
aquele homem é tãããão lindo! Hum... ah, ok! A crítica ao concerto, é verdade! Já me esquecia... Pois! O maestro Zilm esteve muito bem. Muito bem, mesmo! Os outros também devem ter tocado bem! Confesso que não prestei muita atenção... já nem me lembro de os ter ouvido! Mas o maestro Zilm esteve muito bem... Muito bem, mesmo!

quinta-feira, outubro 23, 2003

O Senhor PR

Muito boa, a posta do Mata-Mouros sobre o nosso PR (de quem eu falei há pouco tempo, sem que alguém me tenha ligado).

O PR disse: «No exercício das suas funções, o Presidente da República está na posição singular de ter direito a toda a informação necessária e legítima, e de nessa posição se relacionar com todos os órgãos do Estado e seus titulares.» Eu também não percebi em que é que se fundamenta esse direito, relativamente a processos que se encontrem em segredo de justiça.

E agora pergunto: afinal não existe separação de poderes? Ou há quem esteja acima de tal princípio? O PR? Nesse caso, é legítimo deixar que o PR tenha interesses na área da justiça? É ele que decide o que entende por "fins menos legítimos" para utilizar a tal informação privilegiada? Os advogados do seu escritório poderão estar a beneficiar com esta especial prerrogativa do PR? Não digo, nem sequer insinuo, que isso alguma vez tenha acontecido, mas quando nos lembramos do caso Bayer...

"Solaridade"

Estou solidária com o Senhor Carne! E, no fundo, não o estaremos todos? Ora atentem lá na gravidade da situação... É ou não é inadmissível? Uma vergonha, um descalabro... A revolta que sinto é, com certeza, partilhada por todos os Portugueses. Que digo eu? Por todos os cidadãos do planeta!

quarta-feira, outubro 22, 2003

Notícia de última hora, avançada pelo Crítico:

António Guterres compra o Instituto Superior Técnico e decide entrevistar o site do mesmo Instituto. Ficamos apenas sem saber como é que se entrevista um site... terá sido o webmaster a fornecer as respostas? Ou um qualquer mecanismo automático, gerador de palavras por ordem aleatória? Ai, este IST... sempre na vanguarda!

E não querendo fazer concorrência ao Statler (que ideia!):

Oiço correr a noite pelos sulcos
do rosto - dir-se-ia que me chama,
que subitamente me acaricia,
a mim, que nem sequer sei ainda
como juntar as sílabas do silêncio
e sobre elas adormecer.


Eugénio de Andrade

terça-feira, outubro 21, 2003

Ligações Perigosas

O nosso PR é sócio de um escritório de Advogados (Jardim, Sampaio, Caldas & Associados).
O escritório de Advogados do nosso PR trabalha para a Bayer.
A Bayer foi acusada do crime de corrupção activa.
Em seguida, foi aprovada uma lei que amnistia esse ilícito criminal.
A tal lei foi proposta e promulgada pelo nosso PR.

O desgraçado do Pequito denunciou, perdeu o emprego, teve a sua vida ameaçada... e como se não lhe bastasse, as notícias publicadas sobre este assunto contêm um erro ortográfico! E mais, como uma desgraça nunca vem só, a SIC Online, a TSF online e sabe-se lá quantos mais copiaram uns pelos outros e ninguém o corrigiu! Ou então é mesmo assim, e Alfredo Pequito vai "contextar" em tribunal a rescisão do contrato que tinha com a Bayer.

Palavrasss picantesss...

Na passada Sexta-Feira foi publicado, no Diário da República, o Acórdão n.º 5/2003 do Supremo Tribunal de Justiça, com o seguinte sumário:
"Para o preenchimento valorativo do conceito de acto análogo à cópula a que se refere o artigo 201.º, n.º 2, do Código Penal de 1982, versão originária, é indeferente (sic) que tenha havido ou não emissio seminis."

Calculo que uma das medidas a tomar na já falada reforma das leis penais seja a de passar a referir, em latim, todas as palavras com conteúdo "picante"...
Pode ser que os criminosos se assustem com o palavrão que designa o crime que vão praticar... e desistam!

segunda-feira, outubro 20, 2003

Pergunta o Senhor Carne:

Onde está o Wally?

Quem nos responde?

Escutas e variações

Realmente parece que as noções de democracia, honestidade e liberdade de expressão variam muito de cidadão para cidadão. Variam com a cor da camisola. Variam com os interesses. Variam com a capacidade de materializar conceitos. Eu confesso que acho graça. Suponho que nenhum dos dois senhores que falaram acima de mim no comentário a este post do Daniel acerca da bomba Estou-me a cagar para o segredo de justiça alguma vez tenha feito em privado um desabafo sem reais consequências. São perfeitos no seu autocontrolo, portanto. Os meus parabéns.

Não tenciono defender Ferro Rodrigues. Nem sequer tenciono votar PS, quando for caso disso. Mas é-me absolutamente indiferente que o que ele disse seja a expressão do que pensa ou, pelo contrário, um compreensível desabafo. Disse-o em privado. Ninguém, para além dos agentes envolvidos nas investigações, deveria ter ouvido a conversa, irremediavelmente descontextualizada e eternamente votada à dúvida e ao seu benefício. E afinal, para quê tanto barulho? Parece que neste país há muito mais gente e bem mais relevante para o assunto que se está a cagar para o segredo de justiça. Aqueles que nos fazem chegar aos ouvidos conversas privadas que nunca deveriam deixar o círculo da investigação, por exemplo.

E considerando que se critica o PS pela tese da cabala, desculpem lá, mas os argumentos para isso não param de chover.

Ó Costa, não me chateies, que eu estou a ver um filme,

terá dito Ferro Rodrigues a António Costa, quando este lhe telefonou, preocupadíssimo com o "desbocanço" inqualificável de Ana Gomes (ou com o "desbocanço" da inqualificável Ana Gomes, tanto faz).
De acordo com o DN de Sexta-Feira, António Costa (inconsolável) terá relatado o episódio a alguns dos seus vice-presidentes, que foram imediatamente fazer queixinhas aos jornalistas.
Este episódio era digno de ter sido protagonizado pela porteira do meu prédio. Mas não. Coube ao Secretário-Geral do Partido Socialista tamanha proeza.
Ó Ferro, francamente! É assim que queres chegar a líder da Nação? Então vê lá se, para a próxima, dizes ao Costa:
"não me chateies, que eu 'tou a ver a bola!".

Aí sim, terás o respeito do povo português!

Crí­tica musical (da boa)

O Crítico não tem assinatura para a Gulbenkian, isso já nós percebemos. Até hoje ainda não falou de nenhum dos concertos que por lá passaram desde que se iniciou a temporada, há já duas semanas.
Pois bem, para colmatar essa imperdoável lacuna, e uma vez que as Trutas são super-culturais e não perdem esses eventos, fica aqui a nossa crí­tica aos aspectos realmente interessantes do concerto de Quinta-Feira, dia 16 (que repetiu na Sexta, dia 17).
O programa intitulava-se "A Rússia Desconhecida", interpretou-se Tchaikovsky (Suite n.º1 em Ré maior, Op.43) e Taneyev (Cantata, Após a leitura de um salmo, Op.3). Esta última obra foi como a espada de D. Afonso Henriques: chata e comprida. A orquestra esteve benzinho, embora fosse de toda a utilidade inscrever alguns dos seus elementos numa workshop subordinada ao tema "aprenda a afinar o seu próprio instrumento" (por muito mal que isso possa soar). O Coro portou-se bem, dentro do possí­vel (a obra era mesmo chatinha). O maestro, Mikhail Pletnev ia penteadinho, bem vestido, abanou os braços ao som da música - que bem dançam estes russos... gostei de ver! - mas a minha atenção foi toda para os solistas! Lolita Semenina ia fantástica, num vestido vermelho e roxo, com um penteado do mais moderno que há! Os segundos violinos é que protestaram um bocado (disseram que não conseguiam ver o maestro, por causa da parede de cabelo, mas eu acho que foi só inveja...). Parece que Irina Doljenko e Andrei Baturkin não cantaram muito mal, mas não sei o que me deu, cada vez que estes solistas cantavam, eu adormecia instantaneamente. Deve ter sido do entusiasmo com que cantaram. Mas a grande revelação foi mesmo Michail Gubsky, o tenor. Com um penteado que rivalizava com o de Lolita em quantidade de laca por centí­metro quadrado e umas patilhas que fariam Elvis corar de inveja, Michail apresentou uma noví­ssima técnica de canto que consistia em emitir, pelo nariz, uma série de estranhos sons antes de cantar o que lhe competia. Há-de ser a grande moda na próxima temporada (se conseguir resistir a esta)...
Se Michail com su nova técnica não triunfar, resta-lhe retomar o negociozito de marquises que (de certeza) tem, para os lados da Brandoa.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Presunção de inocência

A um advogado: “Ajude-me... O meu marido está preso, eu não consigo falar com ele, não consigo perceber o que se passa. A minha filha, de dezasseis anos, contou-me que ele abusou dela. Ela é um bocadinho atrasada, sabe? Não é filha dele, é do meu primeiro casamento... Mas entretanto engravidou. Ele recusa-se a fazer o teste de paternidade, mas diz que não teve nada a ver com isso, que nunca lhe tocou. E agora foi preso... E não tem quem o ajude! Eu não quero acreditar que foi ele, mas a minha filha diz que foi... Enquanto eu não perceber o que se passa, peço que o ajudem. Que eu ajudo a minha filha...”

Dedicado aos "heróis".

Olha, olha!...

Por unanimidade: Relação confirma prisão preventiva de Jorge Ritto.

Estão é todos mortinhos por cuscar os "Diários Íntimos"...

La bajita del rincón oscuro


Mamá quería que yo fuera mujer
y que no lloviera nueve meses al año
y que papá la sacara a bailar de vez en cuando.
Pero era más probable amanecer un día con tetas
o un cambio anómalo del clima,
antes que don Luis la convidara un bolero.
Hace varios años que mi madre dejó de soñar,
hoy aguarda la vejez como un último trámite.
Esa mujer que muchas mañanas
lavó y secó los pies que más tarde
una sola vez bailaron con ella,
se sienta todos los días en las gradas de su casa
a mirar el baile victorioso de la lluvia.
Y para atender mis llamadas,
cada vez menos frecuentes,
ya ni siquiera puede levantarse
por el peso de tanta música muerta en sus piernas.



Luis Chaves

quarta-feira, outubro 15, 2003

Chorarei meu triste fado...

Passem uns minutos com o Alexandre, passem...

Os Convencidos da Vida ou A Geração de Fins de 80 Princí­pios de 90...

Certo dia, por eu ter votado CDU nas eleições à data mais recentes, perguntaram-me se eu ainda acreditava no Pai Natal. Respondi que nunca acreditara - os meus pais sempre chegaram a casa com os presentes debaixo do braço, às vezes até por embrulhar, às vezes até escolhidos por nós - e isso nunca me chateou nada. Talvez por isso não identificasse o senhor da Coca-Cola (que deve ser amigo do senhor do bolo) na minha escolha política.

Mas nesse dia compreendi, enternecido, este fenómeno. A pessoa em questão pouco se questionara acerca da proveniência dos presentes debaixo da sua árvore e nunca foi capaz de perdoar o Pai Natal por tê-la deixado tão desamparada. Como o Pai Natal não existe, goza-se com os que nunca se convenceram de que as ideologias de esquerda e progresso social eram bíblias reveladas.

Na minha consciência os princípios mantêm-se intactos. E é por eles que me mexo.

Bigode?!

Eu?! Livra!!!

E não fazendo sofrer mais a Dr.ª Amélia...

.... respondemos-lhe aqui, agora em revelação (quiçá) mundial, que o nosso Manel da Truta não tem bigode, nem nunca o teve!
(Quanto à fotografiazita, logo se vê. Somos um bocado ciumentas... E temos quase a certeza de que ele não faz muito o seu género... e daí... nunca se sabe!)

Eu cá gosto do gajo!

Discordo do Crítico (não digo de Bach porque é a primeira vez que lhe vejo atribuída a tal citação, e eu desconfio sempre de afirmações sem menção da respectiva fonte)... Se o músico for realmente bom e conseguir formar o público, há-de haver uma altura em que se torna popular, ou não? Ou o músico tem de andar sempre à frente dos gostos do público? E isso não constitui uma dependência ainda mais disparatada em relação ao tal público?

Embirro um bocadinho com a Bartoli, mas reconheço que se trata de uma cantora extraordinária. E o Nigel Kennedy é um excelente violinista! Recuso-me a comprar o seu “Greatest Hits”, simplesmente porque não gosto de discos com retalhos (e a selecção do que é “greatest” é sempre mais que duvidosa), mas adoro as interpretações que faz de Brahms e de Sibelius. O lencinho na cabeça, à Axl Rose, o porte hooligan e o visual “radical” dizem-me tanto como o fatinho que os outros usam. O tipo é um violinista a sério, que por acaso também gosta de estar giro em palco e nas capas dos discos. São gostos. E isso não muda o que oiço.

É tão redutor consumir apenas produtos pouco conhecidos como ouvir só o que é “popular”.

Começámos há um mês...

terça-feira, outubro 14, 2003

Complexo de Édipo

Hoje, no comboio, um homem, à minha frente, falava com a mulher, ao telemóvel. Tratava-a mal, quase gritava, muito irritado. Segundo percebi, havia um compromisso qualquer agendado para esta noite a que ela agora se escusava, porque não podia.

Depois, o mesmo homem faz outra chamada:
-Está, mamã? Afinal já não podemos ir aí hoje.


São tão fáceis de decifrar, os homens.

Bolívia

Nos tempos que correm, La Paz é um nome bem irónico para uma capital onde, nos últimos trinta dias, morreu mais de meia centena de pessoas em confrontos.
Diz que parece que os Estados Unidos têm alguma coisa a ver com isto, mas eu não acredito.

Nááá!... não são pessoas para isso.

Querido diário...

Os advogados de Jorge Ritto recorreram, para o Tribunal Constitucional, da decisão de o manterem em prisão preventiva. Entre outros (brilhantes) argumentos, colocam em causa a validade, como meio de prova, dos diários íntimos de Ritto, apreendidos pela Polícia Judiciária na casa deste, em Cascais. Alegam que a utilização dos diários é violadora do “núcleo infrangível da dignidade da pessoa humana”, base da Constituição Portuguesa.

Estes Tribunais andam mesmo impossíveis! Que falta de respeito pela privacidade dos arguidos! Qualquer dia começam a chamar testemunhas para depor contra o senhor embaixador! Onde é que já se viu?...
Ah, e a decisão de manter o arguido em prisão preventiva, de que agora se recorre, foi tomada por aqueles imbecilóides do TRL!

Revelação mundial



Para quem pense que os telemóveis são um produto típico da fria tecnologia e do imparável e catastrófico avanço da ciência da comunicação à distância, que cada vez mais nos afasta do cálido universo onírico das lendas e dos mitos, aqui está a prova do contrário. Quem não sabia já, fique agora a saber, em primeira mão, que, para cada aparelhinho destes, há uma fada protectora. Sim! Acabou-se o mistério que fazia milhões de pessoas em todo o mundo interrogarem-se diariamente sobre o motivo de o telemóvel continuar intacto após uma queda ao chão ou mesmo um arremesso à cabeça de um amigo, o facto de ainda se poder enviar mensagens quando já não há dinheiro, ou, ainda, a identidade daquela voz do outro lado que nos informa das mensagens de voz ou do saldo...
Bem, esta é a fada do meu telemóvel – é ruiva, claro (ou não fosse eu a Vermelha, embora não seja ruiva – isto é confuso de explicar). Mas cada um terá a sua, única e irrepetível. À minha apanhei-a hoje de manhã despudoradamente sentada em cima do telemóvel. Estava a pedi-las! Isto é criatura muito difícil de apanhar, só vos digo. Diria mesmo que esta fotografia constitui a única prova sólida a nível mundial. Uma vez estive quase... e ainda consegui fotografá-la antes que se evaporasse... mas ficou tudo tremido e parecia mesmo que tinha colocado um boneco de cerâmica comprado na Galiza em cima do telemóvel. Foi um desgosto. Mas hoje ela não deu por nada! Ou deu, mas não se importou. Até porque, convenhamos, com o boom mundial de possuidores de telemóveis (disseram-me que chega até a haver gente com mais de um, mas eu não acredito), por quanto tempo mais pensam elas permanecer incógnitas no limbo, ou lá o que é? Aquilo tem um limite de espaço. E aqui ainda há muito - por isso é que algumas, quando se sentem apertadas, se materializam. Sorte a minha! Haverá um prémio para isto? Preciso de dinheiro.

Também são tipas muito jeitosas nisso de fazerem os carregamentos no Multibanco. Que eu de máquinas não entendo nada e nem tenho tempo para estar em bichas. (E as asas dão um jeitaço porque não deixam o tipo de trás ver o código. Ou então é por andarem nuas... isso também distrai muito um gajo.)

Estás a dar-me música?

No El País de ontem (edição impressa, que na versão digital, se queres ler, pagas!):

BERLUSCONI TAMBIÉN ES COMPOSITOR

El primer ministro italiano, Silvio Berlusconi, ha añadido a sus variadas actividades la de compositor de música, puesto que ha debutado en esta faceta en el primer disco del napolitano
[Socorro! Um cantor napolitano!] Mariano Apicella. De Berlusconi se conocía ya su interés por la música y siempre ha confirmado que en su juventud animaba a los pasajeros de los cruceros con canciones melódicas [O que serão “canções melódicas”?] que al piano interpretaba su amigo Fedele Confalonieri, actual presidente de Mediaset. (...)


Palavras para quê? O homem é um "artista" variado! (De variedades, portanto.)

segunda-feira, outubro 13, 2003

Provocaçãozita do dia

Paulo Querido anuncia-nos (até à exaustão) o "maior acontecimento fí­sico da blogosfera portuguesa". É só o lançamento de um livro escrito por ele, não se entusiasmem demasiado.

À cautela, não tenciono passar pelo Mercado da Ribeira no dia 15 (vá, toma lá a publicidade, para não parecer que estou só a embirrar), não vá aquilo estar a abarrotar, com a multidão em êxtase, à espera de levar com o livro na tola, aquando do lançamento (qual bouquet da noiva... que imagem linda!), e eu não gosto nada de multidões.
Esperemos é que alguém lhe tenha revisto os textos, que o rapaz é um pouco dado a trocar os sinais de pontuação (ou então ficamos a saber que, para conversar com o autor, é necessário pagar-lhe).

Deixo-vos com os Curricula Vitae dos autores do livro, fornecidos pelos próprios.

Paulo Querido é um reputado jornalista (presunção e água benta...) do Expresso, responsável pela maior comunidade de Blogs em Portugal (a única!!) e autor do livro Homo-Conexus editado pelo Centro Atlântico.

Luís Ene, é licenciado em Direito (não se separa o sujeito do predicado com vírgula, senhores escritores!), autor de diversos Blogs (muito conhecidos) (Ah! Esses?! A sério? É ele?!) e autor do livro "A Justa Medida" que foi o vencedor da primeira edição do Prémio Novos Talentos.

Sem Título

A noite pergunta quem sou eu.
Sou o seu profundo segredo,
inquieto e negro, seu rebelde segredo.
Meu ser escondi dentro do silêncio.
Meu coração envolvi em conjecturas.
Para aqui fiquei, pálida, inerte,
a ver os séculos que se interrogam:
quem sou eu?

Nâzik Al-Malâ'ika (Iraque)


Este era-me dirigido. Tinha o meu nome e marcava o lugar à mesa. Faz-me sempre pensar...

(Emocionado) agradecimento

Por nos terem incluído na sua listinha de blogues, pelas palavras amigas, por terem respondido aos nossos insistentes e-mails (por vezes com um carinhoso embora lacónico “unsubscribe-me from your mailing list” – é tão emocionante saber que os nossos ídolos falam tão bem estrangeiro), pelas simpáticas referências que fizeram ao que por cá escrevemos, as Trutas agradecem:

Ao Crítico (que escreveu o que eu sempre pensei acerca do Coro do S. Carlos, mas tinha medo de dizer), à Assembleia, à Quarta Vaga, à Vitamina C, ao Carimbo, à Formiga-de-Langton, que gentilmente nos atribuiu o prémio “melhor no feminino” (que muito bem nos soube!), à Origem do Amor, ao Gin Tónico, ao misterio, à Dra. Amélia, ao Mar Salgado, ao Senhor Carne, ao maradona (o que é que lhe aconteceu?!), à Malta da Rua, à Bomba (desculpa lá aquilo do prémio “melhor no feminino”... não fomos nós! Sabes como são as formigas...), ao Aviz (o FJV leu o que escrevemos! Que emoção! Que vontade de contar toda a gente, não fosse este um blog anónimo! Que belo motivo para ir beber copos!!), aos Marretas (mais copos! Mais farra! Aqueles gajos fixes incluíram-nos na lista da “malta fixe”! Terá sido por causa da proposta indecorosa que eu fiz ao Statler? ‘Pera lá... estamos mesmo por baixo do Abrupto... o que é que isso quererá dizer?) e, finalmente, ao Abaixo de Cão, pela fidelidade, pelo carinho, pela pachorra de comentar todos os postes das Trutas.

Matemática reinventada

A propósito do que aqui se disse acerca do estado do ensino...

domingo, outubro 12, 2003

A salvação da pátria está nas Portas...

...de saída! Ou com o Portas podes ajudar a construir o novo Estado Novo!

Ouvi esta notícia ontem, também na SICNotícias, mas nem quis escrever nada... convenci-me de que estava com alucinações auditivas, "sou eu que já só vejo fascistas onde só há perfeitos idiotas", pensei. Mas não. Era verdade. É VERDADE! Isto está mesmo a acontecer!

Sem mais comentários, esta desova é dedicada aos meus amigos que há ano e meio achavam que eu estava a exagerar quando via neste governo o germe de um recuo muito perigoso. Meus queridos - e sim, Zé Pedro, esta é especial para ti, se passares por cá - I rest my case. Daqui para a frente não tento convencer mais ninguém. Os verdadeiros objectivos desta governação estão cada vez mais à vista de toda a gente. Só resta lutar.

P.S.
E os objectores de consciência, também serão obrigados a comparecer? Ou terão de pagar a multa?

Onda de Parvoíce esbarra no dique de Aviz...
ou
Do Canal 18 ao Terço Vivo


...ou cá está! Substituamos mas é a Constituição pelo regulamento do Big Brother. Barnabé, Barnabé, o Orwell já está tão atrasado, não podemos deixá-lo ficar mal!

Ai Portugal Portugal
de que é que tu estás à espera
tens um pé numa galera
e outro no fundo do mar

enquanto ficares à espera
ninguém te pode ajudar


sábado, outubro 11, 2003

E a propósito, este debatezinho no The Amazing Trout Club nem seis meses tem... porque será que ainda me espanto?


"Estudo do Meio do João" - ajudem-me lá...
Autor: Truta Vermelha
Data: 20/5/2003
Hora: 12:36

Ajudem-me lá, que eu, assim de repente, não sei: é para rir ou para chorar? Ou as duas coisas ao mesmo tempo? Ou uma primeiro e outra depois? E por que ordem?
Não faltava mais nada... já nem nos manuais escolares se pode confiar! Mas, também, não é novidade que os professores, a maior parte das vezes, são piores que os alunos.
E como são eles que fazem os manuais...
A propósito de manuais: mas que raio de nome é este? "Estudo do Meio do João"?!! Get outa here!


Erros em manual do 1º ciclo evidenciam falta de fiscalização

PUBLICO.PT (20 de Maio de 2003)

O manual escolar "Estudo do Meio do João", que está nas mãos de cerca de 18 mil alunos do 4º ano do 1º ciclo do ensino básico, contém inúmeros erros. Portugal passa a contar, segundo o livro escolar, com 22 distritos e o Estado Novo prevaleceu até à década de 1980, tendo incluído o 25 de Abril, entre muitas outras imprecisões.

A notícia, avançada hoje pelo "Diário de Notícias", dá conta de uma série de erros que estão a ser ensinados aos jovens alunos e parece fazer eco dos protestos de pais e professores sobre a alegada incapacidade do Ministério da Educação para avaliar os livros escolares no mercado e escolher os mais acertados.

O "Estudo do Meio do João" é da responsabilidade da editora Gailivro, que assume os erros e que garante tê-los detectado no final de Outubro do ano passado, ou seja, já com as aulas do ano lectivo 2002/2003 em curso. Os erros dever-se-ão, de acordo com a Gailivro, a uma falha de uma funcionária, que não gravou as alterações ao texto antes de este ser enviado para impressão.

Assim, os erros foram detectados e comunicados à tutela, mas ainda assim a editora, que já tinha por si encontrado os problemas, diz só ter recebido uma notificação do Ministério em Fevereiro deste ano. O caso evidencia também que os professores encarregues da escolha do manual aprovaram a versão com erros.

Os erros passam pela História, Política e Geografia. Portugal tem, de acordo com o manual, 22 distritos, ao invés dos 18 reais. O país já teve, de facto, 22 distritos, mas desapareceram em 1974. Este ano não é, aliás, feliz no "Estudo do Meio do João", incluído no Estado Novo, período que se estende até à década de 80 e em que pouco se menciona o nome de Salazar.

O período de ditadura é alvo de outra incorrecção quando se referem os órgãos de soberania da máquina do Estado Novo: o Presidente da República é substituído pelo chefe de Estado e a Assembleia Nacional pela Assembleia Geral.

A nomenclatura não é, de facto, o forte dos autores do livro escolar, que garante que D. António (membro da segunda dinastia portuguesa) é filho de D. Luís e do cardeal D. Henrique. A Geografia contribui também para a catadupa de imprecisões, quando no manual são subtraídas quatro ilhas a Cabo Verde e São Tomé é presenteado com mais uma ilha.




Manel da Truta
Data: 20/5/2003
Hora: 19:38

Olha, eu nem sei que te diga. Só me apetece dizer palavrões:

SE ESTES CABRÕES FILHOS DA PUTA QUE SE ESTÃO A CAGAR PARA TUDO E QUE FAZEM POR FAZER PORQUE O QUE É PRECISO É GANHAR O SEU FOSSEM TODOS PARA O CARALHO O MUNDO FICAVA MAIS LEVE!

E SE COM ELES LEVASSEM OS CABRÕES DOS CORNOS QUE NOS GOVERNAM E QUE ACHAM QUE CORAGEM E PROGRESSO É BAIXAR SALÁRIOS, CORTAR DIREITOS, MANDAR TRABALHADORES PARA A RUA E MATAR UM PAÍS À NASCENÇA COM UMA EDUCAÇÃO CADA VEZ MAIS DEGRADADA E DEGRADANTE, O PAÍS FICARIA AINDA MAIS LEVE.

PODIA SER QUE VOASSE...


Autor: Truta Vermelha
Data: 20/5/2003
Hora: 19:46

Eh, lá! Até me assustei com os teus gritos! E tens toda a razão, caralho!

Autor: Truta Azul
Data: 21/5/2003
Hora: 1:54

Foda-se... Subscrevo...

Truta Azul
Data: 21/5/2003
Hora: 2:05

Ai... Qu'isto até parece a História de Portugal em disparates! Podiam chamar-lhe a "Estória de Portugal" (Lol!!!)!

O meio do João não deve ser lá muito famoso para os homens terem filhos entre eles (e dum cardeal e tudo, valha-me Deus, qu'isto é heresia!) e o 25 de Abril ter sido um "acidente" dentro do Estado Novo...

Olha, é para se ver o que realmente faz essa gente que aprova versões com erros! NADA!!! Devem coçar a barriga, atiram os manuais ao ar e os que caírem em cima da cama são aprovados! É mais ou menos o mesmo sistema que devem usar para corrigir os testes dos alunos... Mas os que têm positiva devem ficar pendurados no candeeiro... É a educação a funcionar em todo o seu esplendor...

É que agora já nem são subtis na lavagem cerebral! Já não nos bastava os Big Brother da televisão, mais a merda dos reality shows e o car...lho daquelas notícias da TVI, os gajos já se atacaram aos manuais escolares! Quanto mais tenrinhos, melhores! Ainda por cima foram estúpidos, porque se denunciaram! Agora toda a gente sabe que faz tudo parte de um plano estratégico de formação de massa acrítica! Nem era preciso terem tanto trabalho, era só deixar andar...


Autor: Truta Laranja
Data: 21/5/2003
Hora: 10:50

Se os critérios para a escolha dos manuais escolares fossem assim tão arbitrários como atirá-los ao ar, já seria grave, mas ainda por cima sabemos que a escolha de um manual e o preterimento de outro se guia, de certeza, por interesses económicos, ou porque aquele é amigo do outro que também é amigo de não sei quem pretensamente importante...

E aquelas declarações... eu quero lá saber se foi uma funcionária que errou. Não foi a funcionária, foi a editora! Que raio de responsabilidade têm eles, que deixam tudo nas mãos da pobre funcionária? Pior... não lhes bastava atribuir culpas a um subordinado qualquer (o que já é feio!), mas tinham de ser específicos. Ao dizer "funcionária" em vez do genérico "funcionário", estão a dar a entender que já detectaram "a falha" e que já lhe aplicaram a sanção adequada.

Inacreditável.


Autor: Truta Laranja
Data: 21/5/2003
Hora: 11:32

Mais grave do que os erros nos tais manuais são estas mentalidadezinhas de merda...
Reparem nos comentários que esta notícia já mereceu:


Críticas tardias
Acho que deviam estar a analisar os livros que vão ser adquiridos no próximo ano lectivo e não este que pertence ao ano lectivo que está quase a terminar.

Ricardo Pereira (Lisboa)


Notícia sensacionalista
Acho engraçado que estas notícias sejam dadas precisamente no período de escolha dos manuais para o próximo ano lectivo e que apenas se refira uma editora. Todas os manuais têm gralhas e eu como professora podia indicar um role de erros dos vários manuais que conheço.


Agora digo eu: gralhas?? Isto são gralhas? Pode indicar uma lista de erros? Então indique!! Mas não, também deve preferir esta merda de livro porque deve ter mais bonecos do que os outros, e assim também se torna mais fácil para os professores acompanhar as aulas que dão!...

E para os fascistas do público:
os comentários destes paneleiros sabem eles pôr no site!! Os meus, que além de elevada qualidade intelectual e linguística denotam uma inteligência acima da média, censuram eles!!!!


Autor: Manel da Truta
Data: 21/5/2003
Hora: 18:56

Isso de porem as culpas num anónimo funcionário aprenderam com os fascistas do Público: há mais ou menos dois anos mandei um e-mail a reclamar sobre as datas referidas numa coluna sobre o Alberto Korda - a Joana Gorjão Henriques disse só que já no tempo da ditadura de Baptista lhe tinham tentado comprar a famosa foto do Che que só foi tirada depois da revolução, é boa, não é? - e a dita senhora respondeu-me pessoalmente a dizer que a culpa não era dela, era do editor... Para o meu e-mail, estás a ver? O pobre do editor nem sabe do que foi acusado! Ainda por cima os editores costumam cortar, não acrescentar, uma informação indevida num artigo que já era todo ele uma desgraça.

Enfim, deve ser uma escola...

E as caixas pretas vão-se fechando...

Na SICNotícias, Maria do Carmo Vieira, professora da Escola Secundária Marquês de Pombal, em Lisboa, mostra-nos manuais de Português do 10.º Ano. Afirma que a escola deve ser qualidade. Deve abrir horizontes. Proporcionar aos jovens aquilo a que eles não têm acesso no seu quotidiano extra-escolar. Ó senhora professora, não me diga que acha que os jovens andam na escola para crescer como seres humanos e aprender a pensar?! Que disparate!... Estes professores são uns líricos.

Os manuais de Português do 10.º Ano fazem questionários sobre telenovelas. Apresentam autores de épocas e correntes absolutamente díspares sem qualquer tipo de fio condutor ou de lógica pedagógica. Estudam Camões de uma perspectiva autobiográfica (!?!). Têm as páginas repletas de vedetas de telenovelas e Zés Marias e mandam os estudantes ver o Big Brother para depois discutirem as regras. Comparam audiências televisivas. Citam a TVGuia. Perdoem o texto pouco fluido, mas eu ainda estou a digerir o que acabei de ver.

Diz a reforma que a escola deve respeitar referências e linguagens adquiridas em casa. Eu sugiro mais do que isso. A Susaninha do meu querido Quino lamenta, em vésperas de ir para a 1.ª classe, o abandono de toda uma vida dedicada ao analfabetismo. Ora cá está! Voltemos às nossas tradições de séculos e nem sequer vamos ensinar os nossos miúdos a ler.
Ou se calhar só o essencial, para que eles possam ao menos responder aos questionários da TVGuia e votar no Big Brother. Que para assinar de cruz no boletim de voto não é preciso mais.

Que nojo de país!

Terço-vivo

Ora que bonito. A fé em todo o seu esplendor, patrocinada por mecenas que fazem da filosofia cristã a base do seu dia-a-dia... E sempre pode ser que apareça no Politeama "Maria, o musical", três anos em cena e digressão ao Vaticano. Rita Ribeiro no papel principal - que isto da espiritualidade ajuda a resolver conflitos - e Hugo Rendas como menino Jesus. La Féria, La Féria, quem sabe não dorme!

Severo Sarduy

Tanto arder, tanto valor

Tanto arder, tanto valor
tanto ataque y retirada
ante ese umbral en que nada
alivia más el dolor
que su incremento. O mejor:
hay un punto en que el exceso
-y que mediten en eso
los mesurados- bascula
en su contrario. Calcula:
ir más allá es un regreso.


No hay silencio

No hay silencio
sino
cuando el Otro
habla
(Blanco no:
colores que se escapan
por los bordes).
Ahora
que el poema está escrito.
La página vacía.

sexta-feira, outubro 10, 2003

Vieira, Vieira...

Ignorado ao início, desdenhado pelos adversários, injustamente desprezado pelos pseudo-políticos deste país, cada vez mais me convenço de que Manuel João Vieira só não ganhou as últimas eleições para a Presidência da República porque o seu nome não chegou a constar do boletim de voto.
Mas não fiques triste, Manuel João! Deixaste uma preciosa herança - cada vez mais o governo se aproveita (despudoradamente) das tuas ideias e propostas, adoptando-as na sua essência, apenas com um nome ligeiramente diferente daquele por ti proposto (para disfarçar, e tal...).

Descobri no Desejo Casar que o "Ministério da Prostituição e Florestas (uma puta atrás de cada pinheiro)" foi mesmo avante, sob a pomposa designação de "Secretaria de Estado das Florestas" (mas, no fundo, palpita-me que seja exactamente a mesma coisa)!

Vieira: o Presidente que Portugal merece! (cada vez mais me convenço disso)

Ao jeito de quem gosta, o caminho faz-se a caminhar ou Nas esferas do teatro e da liberdade


Era uma vez, há muitos anos, um ser da cultura que criava por aqui em Queluz, Massamá e Monte Abraão – e por ali, Tondela, Porto, Coimbra, Moçambique – encontrava outros seres e misturava águas, mágoas, alegrias e projectos.
Este 1.º FINCA-TE, este risco tão arriscado, nasce de todas estas pessoas que encheram este lençol de água que, agora, em 7 dias e 7 noites de 2003, vai desaguar na cidade de Queluz.

Já desaguou. Ainda corre o caudal, até amanhã, sábado dia 11. E aconselho-vos eu, icem âncoras, façam-se ao estuário de referências, influências, liberdades, cumplicidades e felicidades que alaga o aparentemente inócuo pavilhão da Teatroesfera, ironicamente arrumado por detrás do McDonald’s de Queluz-Massamá. Não se deixem assustar pelo IC19 nem pelas pontes que caem. Neste país está tudo a cair e se não for a ponte há-de ser um tijolo - ou um ministro - que tombe de um qualquer castanheiro e lhes acerte em cheio numa têmpora. Mais uma razão para agradecer do fundo do coração a quem dedica a sua vida a construir e a solidificar públicos de teatro, entregando generosamente a sua arte e a sua alegria de viver e de criar a todos os que recusam ser encerrados nas exíguas caixas pretas que nos deixam sem ar e sem saída - fora delas dizem-nos que somos ninguém, dentro delas deixamos de saber quem somos. Mas a Teatroesfera sabe quem é. Ainda bem para nós.

Ontem estrearam o seu primeiro espectáculo de café-teatro, Anónimos, a partir de três espectáculos que marcaram a sua história como companhia e o seu público – Malaquias, ou a história de um homem barbaramente agredido, Caixa Preta e O Erro Humano, cruzando, principalmente, textos deliciosamente subversivos, politicamente apolíticos e desencantadamente esperançosos de Teresa Faria e José Carretas.

Cinco pessoas generosas, cinco actores absurdamente sérios no seu trabalho. Emanuel Arada, Paula Sousa, Paulo B., Paulo Oom e Teresa Faria (ai Mité, custa tanto dar-te um nome “tão sério”…), não fazem do seu objectivo principal um lugar ao sol no jet-set ou nas telenovelas, nem estiveram no Big Brother Famosos, até porque, sejamos francos, quem é que os conhece? Mas entregam-nos muito mais de si do que se pudéssemos vê-los na casa-de-banho. Há coisas infinitamente mais pessoais do que lavar os dentes frente a uma câmara.

Não foi espectáculo único, vai acontecer aos sábados em Novembro. E já agora não percam os Galináceos, que há-de estrear no fim deste mês. Mexam-se, procurem, forcem as tampas das vossas caixas pretas. Se não o fizerem só não se arrependerão porque se manterão na ignorância… É uma escolha, como tudo.

O Miguel Graça Moura é o Pipi!

Lembrei-me agora!! Só pode ser... E digo isto sem desprimor para o Pipi! Um homem que põe nas contas da AMEC as viagens, estadas e o salário das rapariguinhas que lhe fazem companhia tem muita pinta!

Viva o Graça Moura! Abaixo os invejosos que não se lembraram de fazer o mesmo que ele!!

(No fundo, qual é a diferença entre "colaboradoras para a orquestra" e "prestadoras de serviços de carácter sexual"? Não vai tudo dar ao mesmo?...)

Há 25 anos…

…partiu Jacques Brel. Pourquoi déjà et où aller?

De chrysanthèmes en chrysanthèmes
Nos amitiés sont en partance
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
La mort potence nos dulcinées
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
Les autres fleurs font ce qu’elles peuvent
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
Les hommes pleurent, les femmes pleuvent

J’arrive, j’arrive
Mais qu’est ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois traîner mes os
Jusqu’au soleil, jusqu’à l’été
Jusqu’au printemps, jusqu’à demain
J’arrive, j’arrive
Mais qu’est ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois voir si le fleuve
Est encore fleuve, voir si le port est encore port, m’y voir encore
J’arrive, j’arrive
Mais pourquoi moi, pourquoi maint’nant
Pourquoi déjà et où aller
J’arrive, bien sûr, j’arrive
N’ai-je jamais rien fait d’autre qu’arriver

De chrysanthèmes en chrysanthèmes
A chaque fois plus solitaire
De chrysanthèmes en chrysanthèmes
A chaque fois surnuméraire

J’arrive, j’arrive
Mais qu’est ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois prendre un amour
Comme on prend l’train, pour plus être seul
Pour être ailleurs, pour être bien
J’arrive, j’arrive
Mais qu’est ce que j’aurais bien aimé
Encore une fois remplir d’étoiles
Un corps qui tremble, et tomber mort brûlé d’amour le cœur en cendres
J’arrive, j’arrive
C’est même pas toi qu’es en avance
C’est déjà moi qui suis en retard
J’arrive, bien sûr, j’arrive
N’ai-je jamais rien fait d’autre qu’arriver

quinta-feira, outubro 09, 2003

Laranja, Laranja, isto para ti é canja!

Os Salmonetes voltaram, viva a Laranja!

Não te esqueças de avisar o AdC...

Estado novo (e não Estado-Novo)

Segundo Anabela Neves, está neste momento a ser empossado cada "secretário de estado novo", para além da nova ministra dos Estrangeiros. Secretário de estado novo. Soa mal, embora realista. Ó Anabela, não andarás a precisar de umas férias?

A pedido de várias famílias...

... já cá temos outra vez os Salmonetes. Estes são um bocado mais ranhosos, dizem sempre "salmonetes" no plural, com o número de salmonetes deixados à frente. Mas foi o melhor que arranjei. E nestes podemos mudar as cores.
Com estas coisas é que as mulheres se derretem... "eu sei que não é tão bom, mas é tão quiiido!"

Desfile de ignorância ou o maior poste que já aqui escrevi, tal é a indignação que sinto

É aquilo a que se tem assistido nas televisões e nos jornais, desde que o processo da pedofilia começou. E o desfile tem feito tanto sucesso que os ignorantões que o integram se tentam superar a si próprios, partilhando com o público um cada vez maior chorrilho de asneiras. A libertação de Paulo Pedroso foi apenas o culminar de toda esta feira de imbecilidades.

A maioria das pessoas não tem culpa. Infelizmente, os conceitos jurídicos não são acessíveis a todos, e por isso é fácil enganar quem não está à vontade nestas questões. Seria de esperar que quem tem a enorme responsabilidade de informar – e, por vezes, até a de formar – não fosse, precisamente, quem mais deforma os factos e as consequências que deles se devem extrair.

Não me querendo repetir acerca do que o Manel já disse (e muito bem!), faço apenas os seguintes comentários:

1. Uma coisa são os factos que consubstanciam a prática de um crime. Outra são os pressupostos de aplicação da prisão preventiva.
O arguido pode até confessar o crime, mas se não se verificar perigo de fuga, perigo de perturbação do decurso do inquérito (etc., não vos vou maçar com os restantes pressupostos), não pode ser preso preventivamente. Percebe-se, assim, que o facto de P.P. ter sido solto não quer dizer absolutamente nada acerca da sua inocência.
Quando Anabela Neves, da SIC, perguntou ontem a Celso Cruzeiro se “o TRL entendeu não haver nada contra Paulo Pedroso, por que é que o mantém como arguido?” estava apenas a prestar a sua “piquena” contribuição para o alastrar da ignorância geral. Não se pode esperar que Celso Cruzeiro esclarecesse a senhora e os telespectadores. Se fosse advogada do P.P., também não esclareceria. Nem abriria a boca. Simplesmente porque os Estatutos da Ordem dos Advogados não permitem que os advogados se pronunciem acerca dos processos que patrocinam.

2. Vejamos a cronologia do processo: P.P. foi preso preventivamente no dia 22 de Maio. O advogado recorreu. Os pressupostos de aplicação da prisão preventiva foram reapreciados no dia 11 de Julho. O Tribunal da Relação entendeu não apreciar o recurso interposto, uma vez que já tinha havido novo despacho. Houve recurso do novo despacho e recurso da decisão do TRL não apreciar o primeiro despacho. O TC decidiu que o TRL devia ter decidido relativamente ao primeiro despacho. E agora, qual foi o despacho apreciado pela Relação de Lisboa? O primeiro, ou o segundo?
Isto é muito importante:
Se foi o primeiro despacho, ou seja, aquele que apreciou se no dia 22 de Maio se encontravam reunidos os pressupostos de aplicação da prisão preventiva a P.P., então pode dizer-se que ele esteve injustamente preso desde o início. Mas não nos esqueçamos que os tais pressupostos foram reavaliados no dia 11 de Julho, e foi com base no despacho proferido nesse dia que P.P. se encontrava preso, até ontem. O que me leva a concluir que, se o TRL apreciou agora o primeiro despacho, P.P. não poderia ser solto. Tal decisão seria importante apenas para determinar uma eventual indemnização por privação da liberdade ilegal ou injustificada durante os meses em que esteve preso ao abrigo do primeiro despacho.
Logo, só pode ter sido o segundo. Se assim foi, teremos de esperar pela decisão acerca do primeiro despacho para saber se ele esteve injustamente preso desde o início. Agora, apenas podemos dizer que a prisão foi ilegal desde 11 de Julho até agora.

3. Os gajos do Público são completamente idiotas quando se referem ao conteúdo do acórdão da Relação. Que eu saiba, o acórdão encontra-se em segredo de justiça. Por isso, só posso concluir que o Público se limitou a "mandar bocas" sobre qualquer coisa que "ouviu dizer". Um jornal devia ter a decência de não se pronunciar sobre aquilo que não pode. Se houve fuga de informação, ninguém deveria poder dela beneficiar, quanto mais não seja porque a informação obtida dessa forma é sempre falível.

4. Em resposta ao Barnabé: quando um Tribunal de instância superior dá provimento a um recurso, isso quer dizer que o juiz do Tribunal recorrido é um imbecil? E isso quer dizer que o sistema judicial, que se baseia na recorribilidade das sentenças - e, para isso, admite a existência de magistrados imbecis - é uma imbecilidade?
Se as leis fossem de aplicação automática e matemática, o "erro" seria facilmente detectável e qualificável como uma "imbecilidade". Como não são, temos de nos contentar em entender tudo isto como uma "diferença de opinião". Não nos esqueçamos de que o juiz relator votou contra o acórdão. Será imbecil?

Como fã do Barnabé, não posso deixar de botar faladura:

Meus amigos, também tenho algumas reservas quanto ao andamento deste processo, mas se este juiz é imbecil por ter mantido o Paulo Pedroso em preventiva sem bases técnicas para isso - porque, não se enganem, é disto e só disto que se trata - então que dizer de todos os outros que são responsáveis por prisões preventivas ilegais, injustas e atentatórias dos direitos dos cidadãos? São menos imbecis porque as vítimas são anónimos e não o Paulo Pedroso? Ou também já nos esquecemos todos de que o Otelo e tantos outros arguidos das FP-25 estiveram mais de três anos em preventiva?

E este tipo de abuso, infelizmente, é comum na justiça portuguesa, todos o sabíamos, não é verdade? Temos demasiadas heranças do medo, da desconfiança e da ausência de direitos que este triste país tem feito questão de manter ao longo dos séculos. E pensar que fizemos uma revolução com vontade e flores, que fomos dos primeiros no mundo a abolir a escravatura e a pena de morte... foram espasmos culturais sem exemplo, concerteza... Às vezes tenho esperança que não, mas logo a realidade portuguesa me atinge. Brutalmente e sem piedade.

Mas esta movimentação do PS para transformar Pedroso num herói nacional injustamente encarcerado por um juiz vingador está a dar-me a volta ao estômago. O que se passa é que os indícios de crime continuam lá, as justificações para a prisão preventiva é que não. O próprio João Pedroso é advogado, podia tentar explicar isto aos senhores que lhe querem beatificar o irmão.

É que ainda lhes sai o tiro pela culatra...

E vamos lá a ver: o que é que tem o Barnabé, que é diferente dos outros? Neste momento? Muito pouco...

Ó Laranja...

Como é que é? Não podemos deixar o AdC tanto tempo a salivar. Quer dizer, o Pavlov está morto, so what's the point? SALMONETES JÁ!!!

quarta-feira, outubro 08, 2003

Presságios...

Não é que li hoje que o presidente do colectivo de juízes que vai julgar o Bibi é o mesmo que assinou a prescrição do caso dos hemofílicos?... Chamem-me alarmista, mas a verdade é que isto não me augura nada de bom...

Afinal, de quem é a culpa?

No Barnabé, um post muito a propósito, do Daniel Oliveira. Estranhamente, o único comentário presente é o meu. Se calhar a Constituição é mesmo uma coisa muito abstracta...

Quando oiço as dissertações da direita portuguesa - donde, dos nossos governantes - sobre a Constituição, até sou capaz de jurar que o melhor para o avanço do país e da sociedade é nem haver Constituição nenhuma! P'ra quê? Leis e direitos fundamentais, igualdade de oportunidades independentemente de raça, credo ou orientação sexual, repúdio das penas de vingança - prisão perpétua, pena de morte - em favor das penas de justiça, etc. etc. etc., mas por alma de quem, para quê? As empresas também não têm Constituição, e uma vez que são elas o modelo de modernidade e progresso que aparentemente temos de seguir, podemos começar já por aí. Ai, mestre JHF, a falta que fazes a esta gente esquerdelha de vistas curtas! Afinal, nas sociedades esclavagistas não havia necessidade dessas perdas de tempo que são as lutas laborais, a segurança no trabalho, o direito a ter, ao menos, as necessidades básicas asseguradas, assistência social, saúde e educação públicas, mesmo a própria remuneração... Isso sim, é que era trabalho! Responsabilidade social! Sentido de Estado! Patriotismo!

Ó gentes de Portugal: aprendei com os escravos da história. O Spartacus nunca existiu! Deixai-vos de tretas e assumi de uma vez por todas que não sois pessoas, mas apenas e só força de trabalho para que quem manda possa fazer a vida a que acha que tem direito. Então seremos finalmente uma grandiosa nação, temente a Deus, vegetativa e suicidada!

Não vos vou quê?

Schwarzenegger: “No los voy a defraudar”

Pronto. Se está prometido, fica prometido: o rapaz não vai desfraldar mais nenhuma mulher!

Um arrependimento em público é sempre bonito. Chorei.

Vá, digam lá que não é este o vosso fetiche...

Atención, gorditos!: llega el “slavercise”, un infalible tipo de gimnasia sadomasoquista

Apareció en Nueva York y ya es un “boom”. El planteo es sencillo: en vez de alumnos, hay “esclavos”, y en lugar de profesores, “amos” que los someten a rutinas físicas que son verdaderas torturas...


Es cierto: hasta el fanático más devoto del buen estado físico necesita una motivación extra para ir al gimnasio. Sin embargo, nadie podía prever la última locura de los neoyorquinos, que lleva el estímulo al extremo. Se trata de la gimnasia aeróbica “slavercise” (“ejercicio de esclavos”), que no sólo acelera el ritmo cardíaco sino que, además, infunde cierto miedo. Aunque los instrumentos de tortura todavía no han suplantado masivamente a los típicos aparatos de gimnasio, los practicantes de este nuevo estilo de gimnasia deben estar preparados para sufrir, ya que, según postula el “slavercise”, la buena forma sólo se conquista a fuerza de azotes, intimidaciones y sopapos.

Creada por una famosa reina del sadomasoquismo de Nueva York, Estados Unidos, la rubia Mistress Victoria, la rutina básica del “slavercise” se desarrolla al tiempo que se proclama el mantra “sin dolor no hay provecho”. Munida de un látigo y vestida con ropa de látex, medias de red y tacos aguja, Mistress Victoria, de 30 años, somete a sus “esclavos” a una rutina inspirada en el sadomasoquismo que combina ejercicios aeróbicos tradicionales con otros especialmente pensados para cada cliente.

(...) Sus esclavos pagan 20 dólares por una sesión grupal de una hora semanal en la que abundan la humillación verbal y física, los golpes y el entrenamiento por la fuerza.

(...) Victoria determina cuáles son los deseos particulares de cada uno antes de empezar la clase. Un fetichista de los pies, por ejemplo, recibe una rutina de flexiones de brazos sobre sus empeines. “Los que no hacen ejercicios, terminan haciéndolos. Y eso es bárbaro”, sintetiza ella.

(...) Si algunos de sus alumnos baja el rendimiento, todos los castigos posibles son realmente humillantes. Y es más que probable que si alguno de ellos no logra impresionar a Mistress Victoria, tal vez termine besándole el trasero, imitando a un cerdo o luciendo un tutú rosa delante de todos sus compañeritos.

© The Observer
Traducción de Claudia Martínez para Clarín

Se eles vêm a saber disto...

La música clásica no sólo mejora el ambiente de los restaurantes sino que, además, aumenta la generosidad de los clientes. Según un informe presentado ayer por un grupo de expertos en conducta de la Universidad de Leicester, Gran Bretaña, Mozart, Bach y Beethoven le dan a los clientes la sensación de ser más "distinguidos y acaudalados" de lo que son y los invita a gastar más. El pop y el rock, en cambio, no logran tal efecto.

In Clarín, 8 de Outubro de 2003

Pronto. Eu pensava que era esquisita... mas afinal não. Fica, assim, explicada a razão de me apetecer fugir de cada vez que entro em zaras, mangos e afins.

Parquímetros Take 2

No dia em que me avisarem de que a minha morada eterna será o inferno, sei exactamente qual vai ser a minha cruz... "Minzinha" em Lisboa, a qualquer hora do dia ou em qualquer dia da semana (para o efeito é indiferente), enfiada num carro em busca do estacionamento perdido... Ó Manel (mas o Vieira desta vez!), não quererás tu juntar ao teu programa político o parquímetro por condutor? Cada automobilista era possuidor do seu próprio parquímetro! E estacionava onde pudesse. Depois era só colocar o parquímetro junto da viatura, proceder ao pagamento e pronto! Só como modelo de transição, claro! Que, se bem me lembro, a ideia original era promover o abandono da pátria por todos os portugueses, com excepção dos taxistas e... E não me lembro dos outros...

... Não vi um único parquímetro a funcionar hoje...

...Isto quer dizer qualquer coisa...

Assinado: A Mulher da Conspiração

P.S. Os problemas de estacionamento fazem-me sempre lembrar um "soquete" da Maria Rueff... O indivíduo estacionava a viatura e, enquanto se deslocava para proceder ao pagamento da utilização do espaço, surgia um polícia (que já estava algures à espreita) vindo de nãoseionde, de caderno de multas em punho a anotar a suposta infracção... O "soquete" terminava com o indivíduo (após inúmeras voltas ao quarteirão e algumas discussões hilariantes e impronunciáveis com a autoridade) a atirar moedas ao parquímetro de dentro do automóvel...

terça-feira, outubro 07, 2003

Um poste quase a sério
(os maluquinhos da gargalhada fácil passem ao poste seguinte, fáxavor)

Para evitar futuros mal entendidos:
1. Quando escrevo [gargalhada tonitruante e olhar esgazeado] eu não estou, realmente, a dar nenhuma gargalhada tonitruante nem a fazer qualquer olhar esgazeado. Toda a gente sabe que as trutas não esboçam sequer um sorriso e que têm sempre o mesmo olhar: esbugalhado.

2. Quando aparece um link para o site da Al-Jazeera nos "Gajos que falam de nós", não percam demasiado tempo à procura do artigo onde eles falam das Trutas (até porque aquilo está tudo em árabe, torna-se complicado...). Provavelmente tratar-se-á apenas de uma graçola aqui da Laranja - embora já tenha havido quem tivesse perdido horas da sua vida nessa ingrata tarefa.

3. Quando chamo "papalvo" a alguém, nem sempre quero fazê-lo. Na verdade, eu gosto é muito da palavra "papalvo", bem como do correspondente castelhano, gilipollas. Mas às vezes quero.

4. Quando escrevo uma palavra em estrangeiro (vide 3, supra), normalmente não verifico se a escrevi correctamente. Estou-me nas tintas (estado que se verifica em muitas outras ocasiões, na vida).

5. Quando a Azul ou a Vermelha se referirem a mim como "o ácaro da blogosfera", não liguem.

Já reparou que há aqui um parquímetro que não funciona?

Pois... Uns a quem não apetece fazer nada (Laranja), outros desesperados porque o tempo não chega (Manel), outros a fingir que não têm nada para fazer (esta não digo quem é) e outros em bolandas. Explico: enviou-me agora a Azul uma sms a dizer que ainda não encontrou hoje um parquímetro que funcionasse! Ora, não há direito! Anda a rapariga agora a correr Lisboa inteira até encontrar uma dessas engenhocas que trabalhe e lhe permita estacionar o carro devidamente.
Mais esmero e brio no serviço, senhores da EMEL!
É que assim nem dá gozo um gajo levar o carro.

Não me apetece fazer nada hoje

Dedico esta imagem a mim própria. Já me fartei de ter ideias geniais para postes, todas elas engraçadíssimas, mas é como diz o Animal: só o tempo que isso leva a fazer...

domingo, outubro 05, 2003

Saudades... vossas.

E pronto, já ando na montanha russa novamente. E não tenho tempo! Não tenho tempo! E penso e grito e choro e revolto-me, mas não tenho tempo de escrever, nem cérebro disponível para alinhar meia dúzia de larachas. E como neste pântano de que nos fala a Vermelha continuam a medrar as sanguessugas e bichos do lodo - sem desprimor para os verdadeiros, que pelo menos não fazem leis nem têm responsabilidades públicas - hoje apetece-me matar saudades vossas com um feliz sotaque brasileiro. O do Zeca. Disco, Líricas.


É mais fácil cultuar os mortos que os vivos
mais fácil viver de sombras que de sóis
é mais fácil mimeografar o passado do que imprimir o futuro

Não quero ser triste
como um poeta que envelhece lendo Mayakovsky na loja de conveniência

Não quero ser alegre
como um cão que sai a passear com o seu dono alegre sob o sol de domingo

Nem quero ser estanque
como quem constrói estradas e não anda
Quero no escuro
como um cego tactear estrelas distraídas

Amoras silvestres no passeio público
Amores secretos debaixo dos guarda-chuvas

Tempestades que não param
Pára-raios quem não tem
Mesmo que não venha o trem não posso parar

Pântano lusitano ao som de Paredes


Ando vai para uns anos com a suspeita de que a Argentina (e não o Brasil) é o nosso verdadeiro “país irmão”. Falo de uma certa maneira de encarar a vida... Que vos parece? Delírio? Temos o Atlântico todo de permeio, não é?

O que é certo é que, de quando em vez, lá me deparo com mais uma confirmação. Imperdível, esta mostra do Novo Cinema Argentino com sede no King, em Lisboa. (Não me pagam para fazer publicidade – o que é pena – mas como sou uma pobre alma abnegada, faço-a na mesma...) La Ciénaga (O Pântano) é um filme belíssimo e desalentado, exemplificativo também desta minha cada vez mais firme convicção. Quem, como aquelas personagens na tela, não se sente, neste nosso país, enclausurado, desalentado, sufocado, aprisionado por muros intransponíveis e milagres que só acontecem aos outros, nunca a nós? (A pergunta não se dirige, é claro, a filhas-de-ministros-de-negócios-estrangeiros.)

Roubo ao Público de há uns dias algumas citações da realizadora, Lucrecia Mantel (32 anos), sobre este filme e sobre os Argentinos. Ora vejam lá se tenho ou não razão: “Para mim, esta história foi sempre uma história sobre o desamparo. Sobre a existência humana. Mas nestes tempos em que vivemos na Argentina, quando sentimos que mesmo a educação já não nos garante felicidade, desprende-se do filme um sentimento mais político. É, claro, uma crítica à classe média do meu país.” (...) “Desde os anos 70 até hoje, a sensação mais concreta que marca os argentinos é a de um certo enfado em relação à política. Foi esse sentimento, que também é de desconfiança, que fez com que as pessoas sempre recusassem o engajamento. A minha geração tem, por isso, um sério conflito com valores como o da solidariedade. (...) O dilaceramento que marca 'O Pântano' é o sentimento de quem perdeu a vontade e a capacidade de controlar a sua vida. Daí a decadência das personagens, que é a decadência da classe média argentina.”

Imperdível, este pântano. Ide, pois, vê-lo. De qualquer modo, não lhe podemos fugir.

Tinha escrito os parágrafos anteriores ontem. Acabo de regressar a casa – fui ver mais um destes filmes: o também belíssimo Histórias Mínimas, de Carlos Sorin. Três histórias que se entrelaçam nos confins da Patagónia, três personagens embaladas, nada mais, nada menos, pelo som da guitarra de Carlos Paredes. Por que razão tal escolha musical não me surpreende?

Estão a ver como tenho razão?

sexta-feira, outubro 03, 2003

Farmácias católicas recusam venda de pílulas do dia seguinte e medicamentos abortivos

Li agora mesmo, no Publico.pt, a notícia de que as farmácias dirigidas por católicos se recusam a vender medicamentos abortivos, pílulas do dia seguinte ou dispositivos intra-uterinos, alegando que se trata de produtos que "atentam contra a vida".

De acordo com a notícia, o presidente da Associação dos Farmacêuticos Católicos Portugueses, Luís Mendonça, explica que são mais moderados em relação aos preservativos e às pílulas anti-concepcionais, uma vez que "Ainda não decidimos sobre esta matéria, mas não temos deixado de vender, pois há que saber se a liberdade de quem vende se deve sobrepor à liberdade de quem procura". E conclui da seguinte forma: "Será justo que um doente crónico, que precisa de medicamentos para sobreviver, adquira estes fármacos com a mesma comparticipação do que um produto que melhora a performance intelectual e até sexual?"

Ora bem! Nada como escolher uma profissão aparentemente neutra para, a partir daí, tentar evangelizar o mundo, impondo aos que nada têm a ver com isso uma determinada visão religiosa, ainda que, para isso, tenha de se renunciar parcialmente ao exercício da profissão que se escolheu!
Já estou a imaginar... lojas de casacos de peles cujos empregados não vendem casacos de peles em prol da defesa dos direitos dos animais, MacDonalds com gerentes vegetarianos e que se recusam a vender hambúrguers, deputados que repudiam o estado de direito democrático e que, em protesto, adormecem no hemiciclo... as possibilidades são infinitas!
Já os estou a imaginar a escolher o curso “hum... vou para farmácia! Para depois, quando tiver uma farmácia só minha, me recusar a vender medicamentos! Aha! Primeiro os DIU, em seguida os pensos rápidos, depois o mundo!!! [olhar esgazeado, gargalhada tonitruante, e tal...]”

Fiquei só com uma dúvida: a última afirmação do senhor presidente fez com que eu tivesse deixado de perceber qual é a questão, afinal! Se calhar é de mim, mas o que é que a comparticipação dos medicamentos tem a ver com o facto de a farmácia se recusar a vendê-los? É a farmácia que estabelece o grau de comparticipação? E se não concordar que os comprimidos para a azia sejam comparticipados, também se recusam a vendê-los? “Ah, refastelaste-te com um lauto almoço, foi? Queres um anti-acidozito? Querias!! Tivesses comido uma sande de queijo, como eu!”

quinta-feira, outubro 02, 2003

Uma vez mais


Aproxima a boca

Aproxima a boca da nascente:
não te importes
se for silêncio só
o que te chega aos ouvidos:
é música
ainda. Tenta uma vez mais
levantar a mão até ao bafo
da primeira estrela,
a pupila atenta
ao rumor de cada sílaba:
não tens outro país, não tens
outro céu.
Com a boca, com os olhos,
com os dedos
procura tocar a terra cheia
do teu coração.
Outra vez.


Eugénio de Andrade

quarta-feira, outubro 01, 2003

Trutas Rule!

Uns ficam felizes, outros espantados, outros assim-assim! Dizem que estes ranquingues são uma patetice (os que ficaram em último), que não interessam a ninguém...
A mim, apeteceu-me viciar a classificação! Por nenhuma razão em especial. Não foi para provar nada a ninguém, foi só para me divertir! E não é que resultou?... Olha lá as Trutas a subir quase 100 lugares num dia!
Amanhã estamos nos 10 primeiros!
[gargalhada tonitruante e olhar esgazeado]

Cambada de papalvos...

Vale a pena recordar II

O programa eleitoral do Manuel João Vieira.
Nunca outro candidato esteve tão próximo do seu eleitorado ou teve um programa tão ajustado à realidade portuguesa! Manuel João prometia-nos (entre outras coisas):

O Ministério do Monta-Cargas e Camião Cisterna (todos podem participar - diversão nacional) - talvez hoje ele juntasse os helicópteros a esta lista!
- Impedir a edição do novo disco dos Delfins - pronto, já sei que o Statler se vai insurgir contra isto!
- Substituição de todos os generais por presos de delito comum (o que vai dar ao mesmo) e substituição de todos os presos de delito comum por generais
- Obrigar a China a respeitar os direitos humanos (senão zangamo-nos a sério!)
- Caramelização do adversário (reconversão marcial da industria de frutas cristalizadas)
- Novas versões da Barbie: Barbie Pastorinha de Fátima; Barby Puta do Bairro Alto; Barbie Hospedeira da TAP
(claro que, agora, teriam a concorrência da Barbie Mil Broches, já publicitada pelos Marretas, mas tenho a certeza que o Manuel João se havia de lembrar de qualquer coisa à altura!
- Comprar Chernobyl e usar como ameaça constante sobre Espanha
- PROJECTO VIDA - Acabar com a morte. Campanha “Vai morrer longe”


Vieira, as Trutas apoiam-te na candidatura à Câmara Municipal de Lisboa!

Juntas, cantaremos: "Vieira, Vieira, o resto é lixeira!"