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domingo, outubro 23, 2005

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Cama 44. Já te disse adeus e ainda não partiste. Ou talvez a melhor parte de ti já não esteja cá connosco. Quero crer nisso. Que não estás totalmente cá. Algures habitam já todas as tuas memórias, toda a tua inteligência, toda a tua sagacidade, o teu ser... A inspiração borbulhante que se segue a cada expiração é que não cessa. Ainda não. A tua mão na minha, trémula e quente. Demasiado quente. Acho que estás meio febril. Deduzo que deve ser da pneumonia e que o medicamento que te deram por via intravenosa já deve ter tido o seu pico. O ar é morno e estagnado. É tudo demasiado claustrofóbico. E tão dolorosamente impessoal... O senhor da cama ao lado ali jaz há sete meses. Acidente de viação. Tem um tubo na traqueia. Abres os olhos por vezes, mas não sei dizer o que há neles... Estão cinzentos e olham para além de tudo... Nem sei se vejo dor. Não sei o que vejo. Parece-me um grande nada. Não quero que sofras... Tens uma máscara de oxigénio na face.
O teu nariz é tão pequenino... Sempre foste muito bonito. Mesmo agora, numa luta que não ganharás, continuas lindo. Não sei se a luta é tua ou nossa. Olho para o senhor do lado e penso qual será a razão para prolongar a existência de algo que já não me parece uma vida... Como se esticássemos um fio até ao seu limite, ao limite do limite. Porquê? Não estaremos apenas a prolongar uma dor? Tu não estás ligado a nenhuma máquina, mas sei que daqui a uns minutos a enfermeira virá para te aspirar todo esse borbulhar dos pulmões. Borbulhar esse que o teu organismo continuará a produzir incessantemente. Tens uma pneumonia mas não compreendo porquê! Tu não sais de casa há anos, as janelas raramente são abertas, nunca ninguém te vai visitar quando está doente...
É a tua outra doença... Essa do esquecimento. Essa demência que começa por te roubar o sentido de orientação, depois, a pouco e pouco, as memórias. Até o teu organismo começar a esquecer o básico. Andar. Engolir. Entraram secreções nos teus pulmões. Ou talvez outra coisa mais sólida.
Não falas já. Estás como a tua irmã que eu não vi morrer há uns meses atrás. Mas ela estava lúcida, diz a minha mãe enquanto te penteia, e tu só Deus sabe. Leva-o, por favor, porque o Outro Lado só pode ser melhor do que isto. Leva-o Contigo e não o proves mais. Que Te sirva o amor e a alegria que deu a tantos. Leva-o Contigo e olha por ele. Eu quero lembrá-lo como o meu avô que conhecia meio-mundo, me levava à escola, gostava de café com bagaço, tinha carteira profissional de artista (:-)) e imitava todos os bichos, pois era um com eles, para meu deleite e da minha irmã.