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sábado, julho 22, 2006

Devaneios


(...) No fundo, lá bem no fundo, cismava Isabel, o Filipe era um rapazinho inseguro que só o amor dela podia salvar. No fundo, lá bem no fundo, meditava Claúdia, o Dinis era um menino triste que só a paixão dela podia curar.

Não se imagina como seria a vida sem esta imensa presunção feminina. As mulheres fogem dos homens equilibrados como se de uma doença permanente se tratasse. Elogiam-nos e invejam-nos ostensivamente nas outras, com a mansa maldade de que só elas são capazes. A mesma maldade leve, divina, caridosa, que louva e promove as diminuições das desfavorecidas da sorte ou da beleza, para melhor as preservar e dominar. As mulheres gabam a felicidade alheia com o sorriso terrível dos deuses a quem todos os sacrifícios são devidos porque muito sofreram, e buscam em cada homem um pretexto da imolação que conduz à glória. É por isso que não lhes interessam os poucos homens lúcidos que ainda resistem; a perspectiva da pura partilha traz um cheiro a anestesia que lhes põe os nervos em pé, em alerta de loucura. Dispõem-se a morrer grandiosamente pelo maior miserável, desde que não se arrogue canduras de merecedor; quando correspondidas, elas bocejam, ameiguam-se, fingem-se meninas e esfumam-se entre os dedos deles. As mulheres nunca foram meninas, para mal dos bons rapazes. (...)

A Instrução dos Amantes, Inês Pedrosa


Fecham-se as páginas no silêncio áspero dos lençóis e a mente corre as memórias dos que foram, dos que podiam ter sido e dos que estarão para ser. Um dia serão todos um único na mesma lembrança, porque as histórias repetidas são apenas uma mesma ocorrência, a ocorrência da paixão que se desvela num único fio condutor, mal-grado os diferentes nomes, os diferentes tempos, os diferentes princípios, meios e fins. Não é essencial. Faz tudo parte da mesma eternidade. Um dia serão todos apenas um e poderei dizer que amei um único de todas as formas que conhecia e que aprendi. Com todo o meu ser.

É verdade que as mulheres nunca foram meninas, mas para mal de todos os rapazes. Cá dentro mora um tigre que não dorme, defensor temerário do seu território e da sua essência. E mesmo que eu não o sinta constante e sofra na pele os desaires de quem acredita amar, ele está lá sempre, entrecortado na selva interior, clamando a solidão que lhe pertence por completo.