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segunda-feira, outubro 04, 2004

Melhor diálogo de hoje*


Metro do Rato. Perdi este por uma unha negra, sento-me a ler um bocadito aguardando o seguinte. Começo a sentir-me agoniada, aquela sensação que tão bem conheço que invade o estômago e a mente quando, esperando uma funda inspiração de ar limpo [o possível, pelo menos, no átrio de uma estação de metro] os pulmões recebem antes uma baforada de fumo de cigarro [antes que me chamem algum nome, devo esclarecer que sou um daqueles fumadores constantemente em vias de deixar de fumar]. Nem é preciso pensar. O nariz conduz imediatamente o olhar para os dedos que entre si seguram a beata. O dono desses dedos tem um ar bastante cordial, o que augura uma reacção minimamente compreensiva à minha abordagem. Mas quem vê caras...

Inclino-me para ele, que tem o cigarro quase debaixo do meu nariz, e digo, com um tom calmo: -Eu peço imensa desculpa, mas não se pode fumar nas estações de metro.

Ele olha-me, estupefacto e presunçoso. Acena com ar de poucos amigos, diz que não sabia e agradece por eu o ter informado. Não apaga o cigarro, mas como se afasta de mim, penso que a minha função termina ali, que também não sou mãe de ninguém. Estava enganada. Era demasiado, aceder num erro e numa falta de respeito aos restantes passageiros que ali aguardavam o comboio seguinte:

- Já agora diga-me uma coisa, não é proibido levar com as tosses asquerosas das outras pessoas? - sempre sem apagar a beata, claro.
- Olhe, eu informei-o acerca da proibição, disse-lhe que o fumo me incomodava e não deve ser só a mim, agora o senhor faz o que entender.
- Eu estou a falar consigo, você não falou comigo? Eu só estou a falar consigo. - continua o ar paternalista e rançoso.
- E eu estou a responder-lhe. Provocações também eu sei fazer, caro senhor.

Cala-se. Chega o metro, finalmente. Eu dirijo-me à porta para entrar, ele não quer entrar pela mesma porta que eu e faz questão de ser ostensivo:

- Vou ali para a frente -diz, olhando-me com o ar mais enojado que consegue fabricar-, não quero ficar "asquerado".
- Ninguém lhe perguntou nada -respondo-lhe, sempre olhando para a frente, que não me apetece mais ver aqueles olhos- mas olhe que deve ser chato passar a vida a fugir de si próprio.

Os outros passageiros riem-se. Eu faço um esgarzinho de reconhecimento, mas na realidade tenho muito mais vontade de chorar do que outra coisa qualquer.

*Título vilmente gamado à Laranja que vilmente o fanou ao Guitarrista