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terça-feira, outubro 25, 2005

A boa Lisboa, o bom Portugal. Olé!

Campo Pequeno - uma das zonas mais "finas" de Lisboa, onde só por uma remotíssima coincidência se podem encontrar plebeus como eu. Os cães chamam-se Camões e os donos gostam de touradas, as senhoras resistem estoicamente ao peso incalculável da base Dior e fumam cigarros com boquilha, as meninas finas de nove anos vestem todos os dias fantasias de fada e princesa para andar na rua com os papás [esta família de dez apelidos existe mesmo, juro por estes dois olhos que a terra não há-de comer porque vão para doação ou cremação], porque na realidade, que são elas nas suas redomas cor-de-rosa senão princesinhas mimadas?

É hora do almoço no Magnolia. O pessoal mistura-se, clientes do pediatra do prédio, reformad@s com e sem pingentes dourados, estudantes, executiv@s, mas tudo com um ar minimamente bem-posto, esclarecido, cosmopolita, até "fino da c*#&", como diz um querido amigo meu. Ora o sistema de atendimento no café que tem a melhor tarte de maçã do mundo é simples. Pagas, servem-te ao balcão, levas para a mesa. Está-se mesmo a ver que polulam os chicos-espertos, e não são raros os que, independentemente do tamanho da fila e da lotação, correm a marcar a mesa enquanto os acompanhantes fazem o pedido. Os que vêm sozinhos, que se lixem. Mas este senhor, de cerca de cinquenta anos e com um ar perfeitamente saudável, à hora de almoço chega, pega num jornal do café e senta-se à mesa a ler. Mas só enquanto esperava que quem tinha almoços a pedir desamparasse o balcão e se desenrascasse a sentar nas poucas mesas que sobravam ainda. Quando o balcão ficou livre, lá se levantou, deixando o jornal a marcar a mesa, claro, e foi buscar um café. Estive à beira de ir cumprimentá-lo... bateu tudo o que já tinha visto em termos de estratégias neste tipo de situações.

Após este espectáculo, deveria ter mantido o nariz no meu tabuleiro. Mas não, levantei a cabeça. Estando de frente para a rua, foi mesmo a tempo de ver a porta de vidro a bater, na cara de uma pessoa parada aguardando espaço para entrar no café. De facto, a pessoa sentada na cadeira de rodas não estava ao nível do olhar de quem acabara de sair, mas estava quem a empurrava e teve de ir segurar a porta enquanto ajudava a cadeira a transpô-la. Não valia a pena tentar chegar à porta para ajudar, estava longe demais. Olhei apenas, abismada. E elas lá entraram, sem dificuldades de maior. Deve ser a isto que estão habituadas. Voltei a enfiar o nariz no tabuleiro.

Mas não por muito tempo. No corredor à minha esquerda passava uma coquette já entradota para recolocar o jornal do café na zona lounge. Para cá, trouxe o cigarro aceso, numa elegante boquilha, ao nível das cabeças de quem almoçava, e o jornal na mão direita. Para lá, mudou o cigarro de mão, ou seja, novamente o passou simpaticamente por baixo do nariz de toda a gente. Mas enfiei novamente o nariz no tabuleiro, hoje não estava para me chatear. Felizmente. Ou teria sido uma hora bem difícil.

Morar num bairro elitista em Portugal pode ser verdadeiramente deprimente. Nestes momentos não parece nada estranho que sejamos a anedota que somos. Pois se é com gente que se constrói alguma coisa, não com queques arrogantes com um espelho de aumento umbilical. O que é que ainda estou cá a fazer? Quando perceber, digo-vos qualquer coisa.