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quinta-feira, outubro 27, 2005

O louco que sonhava com o Tempo

Quando este blogue começou, começavam também os ensaios musicais de um espectáculo verdadeiramente especial para mim. Graças a O último tango de Fermat senti-me crescer em interpretação e domínio do corpo [obrigad@, Jardineiro-Truto, pelos abdominais definidos e pelos gémeos desenvergonhados ;)], trabalhei com um grupo que fez uma pérola onírica de uma peça que em NY fora tratada de um modo deploravelmente convencional e convencionalmente chato, cimentei amizades, gozei o trabalho nascido puramente das trocas e dos entendimentos não-verbais. Não falemos dos aspectos de produção, ou o tom do discurso muda radicalmente. Quero cá saber das picuinhices de gabinete. Artistica e pessoalmente, o Fermat foi um momento importantíssimo da minha vida e o Trindade um teatro marcante.

Conheci também um simpático casal de americanos que nem queria acreditar no que tínhamos feito da sua obra. O tímido Joshua e a voluntariosa Joanne deixaram-me marcas - sobretudo ela, que dificilmente susteve as lágrimas na despedida. E no ar ficou a promessa de nova estreia mundial, desta vez Os sonhos de Einstein, e Joanne de olhos brilhando dizendo que então a escrita ia seguir outros caminhos, já com aquele elenco em mente.

Mas o tempo, este que nós sentimos todos os dias, não o que Einstein sonhou, passa, e a vida dá voltas. As datas não foram as previstas. E a minha relação com o TNSJ obrigou-me a saltar fora do elenco deste inteligentíssimo musical que tão bem nos é servido agora no Teatro da Trindade. A evolução dos autores é notória, o material musical e dramático bem mais sólido, e novamente o romance de base é um manancial de ciência e quotidiano, magia e raciocínio. A encenação de Claudio Hochman é onírica quanto baste, jogando com códigos de BD e do musical e aproveitando da melhor forma o simples e funcional cenário que delimita bem aquilo que não tem fronteiras, o mundo real e o mundo dos sonhos. A coreografia de Jean-Paul Bucchieri é bonita, prazeirosa e certeira, pecando talvez por excesso, sobretudo no número Amor não é ciência: há tanto movimento que me preocupou mais o cansaço que os actores estavam certamente a sentir do que a qualidade witty do texto. A adaptação, de César Viana, é novamente um ponto fraco, ainda assim uns furos acima da relativa infelicidade que foi a de Fermat. Os figurinos, novamente de Rafaela Mapril, são elegantes e versáteis, bem mais conseguidos que os de Fermat, salvaguardadas as devidas distâncias de estilo. Em suma, um espectáculo talvez menos emotivo do que Fermat, até pela própria estrutura do texto e das relações entre as personagens, mas definitivamente mais bem conseguido, mais limado e oleado. Um passo à frente. Preciso é continuar a andar.

Do elenco de Fermat restou "apenas" o protagonista, o "mô maridinho" Mário Redondo, que novamente tem uma prestação de grande rigor, muito cool, divertido, desorientado e humano. A "minha" Josette, o espírito do Tempo que desafia e apaixona o jovem Einstein, não poderia estar mais bem entregue. Sara Belo agarra personagem e público e tem uma prestação irrepreensível a todos os níveis. O elenco é muito coeso, mas é justo destacar ainda o trabalho da Alexandra Filipe, o comovente solo da Margarida Marecos, e a maravilhosa Sílvia Filipe, que me impressiona sempre, mesmo a fazer coisas que destesto. O seu solo à boca de cena é um dos momentos altos do espectáculo.

A não perder, portanto, no Teatro da Trindade, em Lisboa, até 29 de Janeiro. Um espectáculo que, sem presunções, faz jus ao homem que, entre outras coisas infinitamente sábias, afirmou que a imaginação é mais importante que o conhecimento. Sem uma, atrevo-me a dizer, não se chega ao outro. Assim nos demonstram Os sonhos de Einstein.