<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5669356\x26blogName\x3dThe+Amazing+Trout+Blog\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dTAN\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://theamazingtroutblog.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://theamazingtroutblog.blogspot.com/\x26vt\x3d-5897069651571143186', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

domingo, novembro 20, 2005

A voz

Após uma tarde de vozes explorando e saboreando Molière, mais vozes me acompanharam à noite. Dilacerada entre um convite para o Ensemble Intercontemporain na Casa da Música e duas horas de Tchekov no TeCA - ainda ontem dizíamos que o Porto é um bidé, mas digo eu que nunca vi bidé tão cosmopolita, eheheh... - decido-me enfim pela segunda hipótese, cheia de complexos por trocar mestre Boulez por um espectáculo que ainda poderia ver por mais duas semanas. Sacrilégios para o intelecto, mas há noites em que algo nos diz que o intelecto está mas é parvo e há instintos mais prementes a seguir. Décimo sexto sentido ou apenas leis da atracção, que me importa, o certo é que fui ao encontro das vozes que me queriam falar e que eu queria ouvir.

Bom, primeiro que tudo, e FYIT [o T é de tripeiro, naturalmente], assisti a um Tio Vânia belíssimo, em que as horas passaram a correr e os sentidos, o espírito e o cérebro se deliciaram e regeneraram. Vozes, umas mais familiares que outras, e presenças, servindo(-nos) um texto eternamente novo e uma psicologia desconfortavelmente actual. Ao TeCA, minha gente, até 4 de Dezembro.

O TeCA. Como me sinto em casa naquele teatro. As vozes são-me próximas e queridas. O cheiro dos bastidores é inconfundível, assim que abro a porta do palco retrocedo seis meses. Céus, como precisava das vozes da C. e da L., e das presenças daquelas mulheres lindas, tão diferentes de mim e tão iguais. O bar do teatro foi vazando, ficaram só as últimas luzes, e nós três à mesa, uma cerveja diferente frente a cada uma, falando, ouvindo, rindo, aconselhando, acarinhando. Que belas podem ser as vozes das mulheres. Fechámos a casa, nada mais natural, era em casa que estávamos. Mas antes uma mensagem inesperada. E um telefonema bem longe de estar previsto. Logo me havia de acontecer a mim, que detesto falar ao telefone, olhar para o aparelhómetro antecipando-lhe o toque, para falar com alguém de quem conheço tanto... mas de quem desconhecia a voz. Não te pareceu a primeira vez, dizias. Levavas vantagem nesse ponto, reconheces. Estranhamente, mal percebi o que senti. Mas sei que sorrio ainda, horas depois, ao lembrar. A audição foi definitivamente o sentido-tema deste meu dia. A voz, as vozes, foram a luz, o néctar e o consolo.

Não mais uma qualquer semana. Um fim de ciclo.