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quarta-feira, janeiro 04, 2006

O Sexo... ou a cidade.



Há já umas semanas que o magnífico quarteto de Manhattan regressou ao meu quotidiano invicto [ler, "sem tvcabo"], e em boa hora, pois se poucas respostas se podem encontrar com facilidade, o certo é que em cada crónica Carrie Bradshaw procura com mais afinco as interrogações que as soluções. Ontem, enquanto Charlotte seguia na sua obstinação em engravidar, Carrie, em equilíbrio instável entre vontade e natureza, lançava-se novamente em territórios de fronteiras obscuras e dava voz a algumas das minhas grandes questões. O que é em nós, mulheres - embora a pergunta seja pertinente para qualquer género -, o que é em nós wanting e o que é shoulding, até que ponto esta dicotomia entre "querer" e "dever" nos confunde, angustia ou condiciona a tomar decisões contra as nossas reais vontades, até que ponto não queremos algo só porque devemos querê-lo. E, mais importante ainda, em que ponto de nós o querer e o dever se misturam a ponto de serem quase indescrimináveis. Ou recordando algumas conversas com a minha Micas, o que é que "temos" de fazer e o que é que "queremos" fazer, afinal? Why are we shoulding all over ourselves? É um auto-questionamento aplicável a quase tudo na vida, mas que ganha uma dimensão inexorável no assunto em questão, a maternidade. Sim, há um sacana de um relógio biológico, o que faz com que as decisões tomadas numa determinada fase da vida venham a condicionar irreversivelmente tudo o que dela decorre; mas também há a adopção, a família, todas as relações de afecto que se pode desenvolver tanto ou mais que com um filho; há, resumindo, o amor em toda a infinita paleta que possui e na qual se derrama e mistura sob os nossos olhos, se recusarmos as vendas. Sim, um homem não sente esse tétrico tic-tac, ainda que sinta a pulsão da paternidade, e tem uma vida inteira para deixar que aconteça. Mas há mais que isso, há qualquer coisa bem mais profunda que essa. Há uma razão de "sentido", de missão, de utilidade, atrevo-me a dizer, inversamente proporcional à forma como a polis encara a mulher. Um nobre, puro e final propósito de vida, que de uma mulher igual às outras - um ser que é ainda olhado com basta estranheza por uma sociedade androcêntrica, repressiva subliminar e ostensivamente, consoante o momento - faz nascer um cidadão cuja utilidade indiscutível assegura a justeza da sua existência. Já o grande doutor Villas-Boas o deixou bem claro quando disse que uma lésbica não é uma mulher completa porque não pode procriar. Ninguém o demitiu do lugar estatal que ocupava. É porque devia ter razão. Como se tivesse sido ontem, recordo como a irmã do meu primeiro namorado me disse que não queria ter filhos, com a maior das naturalidades [que no caso dela correspondia a uma tromba de meio metro, mas isso agora é irrelevante]. Ela tinha dezanove anos, e eu, do alto dos meus dezasseis, reagi apenas com um perplexo "Não?!" Recordo-me bem de como a achei diminuída, não por inteiro - felizmente nunca tive veleidades de juiz -, mas pelo menos numa grande parte da sua natureza de mulher, como se faltasse um pedaço qualquer no seu coração ou no seu espírito. Só eu sei como me sinto hoje diminuída ao recordar essa sensação, e como lhe pediria já desculpa por ter julgado o que não tenho o direito de julgar: a sua vontade mais íntima. Se havia julgamento a fazer, seria o de que era admirável que uma jovem de 19 anos fizesse tal afirmação com desassombro, não por provocação, mas por honestidade.

É por tudo isto que a grande Samantha Jones é a personagem mais esmagadora da série. Não quer amarras. Não quer filhos. Se o mítico Dom João é o marido de todo o género feminino, Samantha quer ser a outra de todo o género masculino [por enquanto, que ainda não surgiu a Sónia Braga]. Não aceita a culpa, nem quando ela vem como sidedish de uma quimioterapia [não esqueçamos os grupos que ainda pretendem que a interrupção voluntária da gravidez está relacionada com o cancro da mama]. A decisão é sua, e não admite intromissões. She's wanting all over herself.