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quinta-feira, abril 19, 2007

Pica-miolos*



Volta e meia passam-me umas revistas femininas pelas mãos nos ensaios do coro... Não me lembro do nome desta, ainda está enfiada na minha estante, atrás das partituras (por enquanto é só uma, Macbeth de Verdi). Por entre a verdadeira floresta de anúncios de maquilhagem, perfumes, jóias, roupa, acessórios, cremes de beleza e que tais, estava um artigo, muito lightezinho (que a cabecinha das mulheres mais não permite) acerca das dificuldades de conciliação da carreira com a vida familiar... Pejadinho estava ele de estórias de infelicidade devido à crescente incapacidade feminina (os mecanismos de regulação do universo empresarial continuam vocacionados para os homens e para o sucesso profissional masculino) em conciliar o melhor de dois mundos. A moral do artigo, tão bem documentada pelos casos verídicos, é de que as mulheres estão a perder o melhor da vida delas quando optam pela carreira em detrimento da vida familiar... Opinião partilhada por Sylvia Ann Hewlett, autora de Creating a Life: Professional Women and the Quest for Children. Aceito. Mas não concordo totalmente... É um mundo difícil, sempre o foi, para as mulheres, em especial desde a industrialização e da entrada destas no mercado de trabalho. Tantos séculos de coisificação do outro sexo, o supostamente frágil, só poderiam levar-nos a um precário equilíbrio entre os recentemente conquistados direitos de igualdade e a hereditária massa informe da desumanização (que continua viva, como bem o prova a força da indústria pornográfica e o tráfego de mulheres, e não se recomenda).

Mas a verdade é que tenho muita dificuldade em vestir estas camisolas do one size fit all... É que a senhora termina o seu livro/estudo com a seguinte conclusão/conselho:

Hewlett's advice to young women is strangely retro: get married you'll be happier and healthier. She counsels them to give "urgent priority" to finding a marriage partner fast, "have your first baby before 35" and look for work at a family-friendly corporation.

E gostaria de cruzar este conselho com a estatística de divórcios nos Estados Unidos do National Center for Health Statistics:

Marriage and Divorce
(Data are for U.S. for year indicated)
Number of marriages: 2,230,000
Marriage rate: 7.5 per 1,000 total population
Divorce rate: 3.6 per 1,000 population (46 reporting States and D.C.)

Quase metade dos casamentos nos Estados Unidos terminam em divórcio. Em Portugal a situação é semelhante. Alguém me explica o porquê do conselho de Sylvia Ann Hewlett? A aposta no outro não poderá revelar-se, a médio/longo prazo, um verdadeiro tiro no pé? A estatística aponta para tal... (In)Felizmente, e mais uma vez, parece-me que quando se trata de decidir acerca da nossa concentração de esforços, é tudo uma questão de fé. Tenho fé de que o casamento me realiza plenamente enquanto pessoa? Mas mais do que uma carreira? Faça favor de comprar o livro e seguir o conselho de Hewlett... Se possível, opte até por deixar de trabalhar.

O meu trabalho não é somente algo que faço para me sustentar todos os meses. A minha vocação é cantar. É aí que está a minha fé. Na crença de que é meu dever levar até às últimas consequências as possibilidades da minha voz e do meu ser. E é agora, e não baseada em suposições do que posso vir a sentir aos 45 anos, que eu tenho de tomar decisões...

Há também aqui uma série de paradigmas subreptícios no meio desta descoberta das necessidades "familiares" nas mulheres mais velhas... 17% das portuguesas moram sozinhas... Estarão todas infelizes? A taxa de natalidade está pelas ruas da amargura... É necessário definir o modelo: as mulheres têm de ter filhos, têm de constituir famílias, têm de sentir todas necessidade de procriar antes dos trinta (ou pouco depois). E não há melhor do que pô-las a meditar nas possíveis futuras angústias da meia-idade. Lamento, a necessidade ainda não se me enfiou pela cabecinha. E a minha estatística diz-me que faria muito mau negócio em apostar por aí... Ainda por cima, só tenho dois pezinhos. Andar para aí aos tiros seria, no mínimo, tolo.



*Ok... Eu sei que o texto também está no outro blog... Prometo originais para a semana, só para as trutas... :-)