<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener('load', function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <div id="navbar-iframe-container"></div> <script type="text/javascript" src="https://apis.google.com/js/plusone.js"></script> <script type="text/javascript"> gapi.load("gapi.iframes:gapi.iframes.style.bubble", function() { if (gapi.iframes && gapi.iframes.getContext) { gapi.iframes.getContext().openChild({ url: 'https://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID\x3d5669356\x26blogName\x3dThe+Amazing+Trout+Blog\x26publishMode\x3dPUBLISH_MODE_BLOGSPOT\x26navbarType\x3dTAN\x26layoutType\x3dCLASSIC\x26searchRoot\x3dhttp://theamazingtroutblog.blogspot.com/search\x26blogLocale\x3dpt_PT\x26v\x3d2\x26homepageUrl\x3dhttp://theamazingtroutblog.blogspot.com/\x26vt\x3d-5897069651571143186', where: document.getElementById("navbar-iframe-container"), id: "navbar-iframe" }); } }); </script>

terça-feira, novembro 30, 2004

Tal como o Boss, também eu tenho direito aos meus tabús [e não me apetece falar do Jerónimo, logo hoje que estou tão bem dispost@]

Bom... quer dizer que tenho, na melhor das hipóteses, dois meses para decidir se é desta que o meu voto vai para outro saco.

Chuva de sms's

Depois de hora e meia de pliés, abdominais, flexões, pulos, danças e variadas matizes de gritos de dor, nada como saber que os amigos não se esquecem de nós nos seus momentos de felicidade e êxtase. A saber:

PARA QUEM NÃO SABE, O PRESIDENTE DISSOLVEU A ASSEMBLEIA. BEIJOS. JOÃO.

Uma semana nunca pode ser demasiado má. 'Tá certo que o Benfica perdeu no domingo, mas para compensar o governo acabou de cair. Viva a Esquerda. Chegou a hora. Ricardo.

YES, YES, YES. Estou tão feliz! O Santana já se foi! Desejo tudo de bom para Portugal! Paulinha.

Hey, hey, Santana's goin' away! Efe. [Sim, temos recebido os convites, meu querido:)].

Viva! O bebé PSL caíu da incubadora e não resistiu... Beijinhas aos dois. Sara.

Ding, dong, the witch is dead... Mano Armando.

E a melhor de todas:

Estou à beira do orgasmo! Parece que o Rei Banana dissolveu a Assembleia da República! Digam-me que é verdade! Digam-me que é verdade!
[Devido à referência libidinosa, e por um pudor pueril, coíbo-me de identificar o autor desta sms; @ dit@ que se acuse, eheheh...]

Pá, ouve o que estou a dizer-te: É VERDADE!!!

What Number Are You?





You Are the Investigator



5




You're independent - and a logical analytical thinker.

You love learning and ideas... and know things no one else does.

Bored by small talk, you refuse to participate in boring conversations.

You are open minded. A visionary. You understand the world and may change it.



What number are you?

segunda-feira, novembro 29, 2004

Actriz. Grande.



Sobre o filme, que é um portento, talvez mais tarde...

Lázaro, deita-te e fica!

O governo leproso desfaz-se aos poucos por cima de nós. Será que em Belém o que se ouve é "Levanta-te e anda!"?

domingo, novembro 28, 2004

Nota breve



Belo concerto. Um coro de três coros feito, três coros feitos de gente que por entrega - e apenas por entrega - fez um trabalho rigoroso, seríssimo e cheio de qualidade e emoção. Uma orquestra segura, com um som rico e boa sintonia com o maestro Marc Tardue. Muito bem tocada a Sinfonia N.8 de Schubert - para mim não falta nada a esta sinfonia, mas enfim, Incompleta será - e o Requiem foi profundo, arrebatador, rigoroso. Parabéns, muitos parabéns a todos.

Quiz O que é a política?

Paulo Portas foi esta noite até à Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa. Assistiu à primeira parte do concerto, preenchida com a Sinfonia Incompleta de Franz Schubert e saíu no intervalo, ou seja, não ficou para assistir ao Requiem pelas Vítimas do Fascismo, de Fernando Lopes-Graça, a obra-título de todo este concerto e a sua primeira razão de ser. Para uma melhor integração no espírito deste pertinente quiz, importa relembrar que Lopes-Graça é um dos nomes maiores da música portuguesa do século XX, da erudita como da popular, e precisamente hoje passaram dez anos sobre a sua morte, aquilo que em muito país civilizado e nem por isso seria uma efeméride nacional. Em Portugal, o Ministro de Estado, dos Submarinos e dos Peixinhos, achou por bem sair ao intervalo. Fica a dúvida a remoer-nos: Porquê?

1._ É um melómano fanático pela música de Schubert e corre, qual groupie alucinada, a ver todos os concertos que pode em que um mero andamento de uma qualquer obra do compositor alemão seja sequer aflorado;
2._ Aconselhou-se com Santana Lopes sobre onde deveria bater palmas e este convenceu-o de que os requieins são obras puramente instrumentais;
3._ Foi enganado pelos seguranças, que lhe disseram que no fim do concerto não se abririam as portas nem se acenderia a luz de sala para dar tempo às altas figuras do Estado de saírem calmamante e em segurança antes do grato povão com a sua adoração, os seus beijos e os seus afagos;
4._ Fez questão de deixar bem clara a diferença entre um compositor e um comuna;
5.- É um daqueles snobs que acham que a banda que fez a primeira parte do concerto é sempre melhor do que as vedetas;
6._ Ouviu as palavras "Vítimas do Fascismo" [por esta ordem específica] e entrou em choque anafilático.

Aceitam-se mais explicações plausíveis e verosímeis para este acontecimento espantoso. Os prémios já conhecem, é a costumeira e procuradíssima estadia no Tarrafal. Se alguém acertar na verdadeira razão para esta piada de mau gosto... bom, o melhor é levar uma toalhita turca, porque a melhor sauna do empreendimento, carinhosamente apelidada de "o buraco", vai estar de portas [temporariamente] abertas à sua espera.

sábado, novembro 27, 2004

Dez anos sem Graça...



Deveria servir esta desova apenas para assinalar a data - a noite de 26 para 27 de Novembro de 1994 - e para vos relembrar dos concertos de hoje e amanhã na Aula Magna da Universidade de Lisboa nos quais se vai apresentar, pela terceira vez em mais de vinte anos, o Requiem pelas Vítimas do Fascismo.

Muito se discutiu, nos comentários ao post que fiz há dias sobre este assunto, acerca do que era política ou deixava de ser. Pois bem, por mais que se lhe queira fugir, não há modo. E a prova é que ontem recebi esta informação estupefacta de um dos solistas da obra, a poucas horas do concerto no Europarque: ao fim de meses de negociações, cedências de direitos e confirmação da gravação para transmissão e arquivo pela RTP, na véspera do concerto o nosso serviço público de televisão informa quem de direito de que a gravação afinal não se efectuará. Justificação? O "responsável máximo" [que ninguém paguece sabegue quem é] não quer "nem ouvir falar nisso" (sic). E pronto, caso encerrado. Mas encerrado de véspera, para que nenhuma outra estação possa lembrar-se de preparar uma transmissão.

Dificilmente se poderia esperar algo que definisse melhor o que vivemos hoje neste país. Habitamos os anexos do quintal de meia-dúzia de fedelhos armados em donos da relva. E parece que não queremos saber de ter o tractor nas mãos... dá muito trabalho, muita chatice, muito agastamento. E nós somos calmos e não gostamos de levantar ondas, a não ser à porta de um tribunal quando não há mais meias para passajar e é preciso ir passar o tempo. Não nos esqueceis: Ovinos, senhor!

Rosa nua, rosa carne

Uma obra-prima, este disco. E finalmente ouvido ao vivo, de fio a pavio, de olhos postos num belíssimo espaço cénico, na vida das luzes e das canções, na presença de excelentes músicos, na voz e no corpo de Manuela Azevedo. Houve espaço para tudo. O mundo de Rosa Carne claramente meado, a face negra e a face luminosa, ou eu ninguém no carrossel dos esquisitos. Se por um lado assistir sentado a um concerto dos Clã é um desafio constante ao autodomínio e um teste contínuo à resistência das cadeiras do auditório, por outro as condições técnicas e o ambiente que uma sala assim nos dá permitiu uma coisa rara nestes espectáculos: o silêncio, a disposição de receber.

O som pregou uma partida à participação do Legendary Tiger Man, mas não há engulho técnico que a convicção não atropele, e o momento Topo de Gama foi, assim, praticamente todo da Manela Azevedo. O público não se chateia nada, é inevitável, de qualquer modo é para ela que os olhares irresistivelmente convergem. O monocórdico Arnaldo Antunes compensa-se na curtição das canções, na inteligência das letras e na presença clownesca: foi o "intervalo do concerto", o espelho estrutural que nos fez passar de Rosa a Carne. Para terminar na tranquilidade.

Terminar não, este era um público à partida vencedor e o troféu foram três encores de Kazoo e Lustro em que finalmente se perdeu a vergonha e se disse adeus às cadeiras do Olga Cadaval, invadindo coxias com pulos e dança. "Manela, és linda!", ouve-se de um balcão, ou muito me engano ou uma voz feminina, só por acaso não foi a minha. O sorriso feliz e... "A música é que é boa". Tens razão Manela, tens toda a razão, mas que seria desta música sem ti? Para mim, este final foi a very thin mint no topo deste festim visceral. Arrancando com o meu amado GTI [Gentle, Tall & Intelligent], mais parecia uma sessão de discos pedidos: O Meu Lado Esquerdo - pois é, pedro, a minha preferida de entre todas -, Sopro do Coração, H2Homem [com direito a coros e coreografia, obviamente], Dançar na Corda Bamba, Problema de Expressão, Sangue Frio... E no fim de tudo, e como este espectáculo será, pelo que sei, editado em dvd, a equipa toda no palco, técnicos, roadies, estilista [e que estilista, meus amigos...], cenógrafo, enfim, os que andam lá por trás para que tudo esteja de pé e sirva e dialogue e se integre naquela generosidade incomparável dos que estão à frente.



A segunda metade do concerto teve sobre si as letras iluminadas com a frase roubada a Amália, a frase que percorre, indizível, todo o disco: Não queiras gostar de mim. Mas este público tem competência para amar. E na música dos Clã, como na voz da Amália, será sempre este um apelo em vão.


quinta-feira, novembro 25, 2004

Um cagado todo cagado...*

Recorda-me a Sara que entre Portugal e Brasil se continua a marrar na incompreensível necessidade de um acordo ortográfico. Isto há-de ser sempre um mistério para mim: por que raio é que americanos e ingleses convivem perfeitamente com o facto de uns dizerem/escreverem dinner e outros supper enquanto nós andamos para aqui a discutir se se diz pequeno-almoço ou café da manhã, em batalhas duras multiplicando baixas pelos quatro cantos do mundo? Não entendo esta obsessão com a normalização. Não gosto muito de ler livros de trabalho em "brasileiro", porque não penso em "brasileiro", mas é-me delicioso cantar interiormente as cenas eróticas de Pedro Bala e Dorinha no Amado linguajar bahiano. No que toca à literatura e à poesia, nada me perturba. No que toca ao resto, bom, às vezes tenho de ler em italiano, o que para mim é bem mais complicado e não me queixo.

No seguimento do que escreveu o troblogdita na caixa de comentários mais doce da blogosfera, para fazer frente à hegemonia do português do Brasil, se é esse o objectivo, só traduzindo mais e melhor, trabalhando mais e melhor e tendo preocupações com coisas realmente importantes em vez desta compulsão pela indiferenciação forçada. Enquanto pelas ruas de Lisboa se multiplicarem toldos orgulhosamente abertos ostentando essa bela palavra que é "residêncial", isto dos acordos ortográficos só pode ser anedota.

Sinceramente, senhores, não têm mais nada com que se preocupar? Em tempos também dizíamos ónibus, não tínhamos era que discutir com ninguém sobre o nome de um autocarro.

*a ler, naturalmente, Um cágado todo cagado...

quarta-feira, novembro 24, 2004

Hoje não me apetece mesmo nada falar do Santana...

... mas no Parlamento, esse momento de serviço público à meia-noite no nosso canal 2, esteve o deputado do PSD Miguel Frasquilho, personagem que me fascina. A tirada que há-de colocá-lo na história politico-televisiva:

O governo [tem piada, esta, porque não é bem o governo, mas o Estado, o que para estes senhores aparentemente é a mesma coisa...] é detentor apenas de uma Golden Share, o que não influencia o government desta empresa, que é uma empresa bench-marking no mercado [ipsis verbis, meus amigos].

Aaaaa.... eeeeeerrr... queria dizer mesmo, eeer, ah, pois... Nada.

Bom, aposto que o pessoal do departamento de gestão da Católica delirou com esta sua pequena pérola de esclarecimento e devoção aos cânones do iluding para garantir voting. Vamos ver se não é preciso fazer um desculping governamental quando finalmente chegarmos ao definitive terminating da qualidade de first munding que estão sempre a tentar convencer-nos de que Portugal tem. A ver vamos. É uma questão de timing... O que vale é que entretanto o deputado Bruno Dias, do PCP, achou por bem esclarecer-nos quanto ao verdadeiro peso estratégico de uma Golden Share. Desmancha-prazerings estes gajos, pá...*

Compungido e vazio, este senhor ainda chegou a ouvir de mãos postas o Castelo Branco do PP, enquanto acenava beatamente com a cabecinha, num antológico momento de televisão. Outros antológicos momentos de televisão foram aqueles em que o moderador do programa e o deputado do PS acharam que era tão ridículo o que se dizia da ala direita, que nem valia a pena responder: bravo, senhores, já sabemos que vocês são superiores e magnânimos em relação a essas poderosíssimas abéculas, mas isto é televisão com o esclarecimento por objectivo; por favor, desçam à terra e respondam ao que tem de ser respondido, vale?

*Esta secção baseou-se na exaustiva investigação sobre vocabuling levada a cabo pelo Gato nos seus educating programas televisivos. Um grande obrigading a esses grandes senhores.

terça-feira, novembro 23, 2004

Aristogatos


Fotografia de Truta Laranja

segunda-feira, novembro 22, 2004

Frase do dia
[evocação da minha aula de Estudo de Estilos desta manhã]


Falar sobre música é como dançar sobre arquitectura.

Keith Jarrett

[Alguns professores da ESML ainda precisam de se familiarizar com as maravilhas do hi-fi...]

Aos invisíveis


Tóquio, Janeiro de 2000
Fotografia de Manel da Truta


A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissémos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada o paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá"
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então tu olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"


Sérgio Godinho, Pré-histórias, 1972

sábado, novembro 20, 2004

Relembrá-las para que não nos sigamos a elas, relembrá-lo para que não nos esqueçamos de nós
[com o devido agradecimento à Shyznogud]



Dias 27 e 28 de Novembro - respectivamente, às 21h30 e às 19h - o Coro da Universidade de Lisboa, o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa e o Coral de Letras da Universidade do Porto vão, com a Orquestra Nacional do Porto e sob a direcção de Marc Tardue, apresentar na Aula Magna da Universidade de Lisboa o Requiem pelas Vítimas do Fascismo, de Fernando Lopes-Graça.

Terceira audição em Portugal, vinte e três anos depois da estreia*, quando a liberdade nos diz todos os dias que precisa de nós para que continue viva, para que cresça. Para que nada disto se repita. Não tenciono faltar à chamada. E vou começar por não faltar a este concerto.

*obrigad@s, jmmmp.

Os mais finos valores, os mais duros labores

O Governo do Dr. Santana Lopes e a Ministra da Cultura Dr.ª Maria João Bustorff serão portanto os responsáveis por concretizarem aquilo que sucessivos Governos têm vindo a anunciar – a quebra irreparável na continuidade do desenvolvimento da criação artística em Portugal, que poderá levar muitos dos nossos artistas, nomeadamente na área da dança contemporânea, a sair do país.
Um país que não respeita os seus artistas, os seus cientistas, os seus professores é certamente um país sem futuro.


É importante não esquecer então que a água que sustenta o barco também o pode virar. É essa a metáfora que nos interessa, não o mito de Tântalo. Ou seja, vão lá, leiam e assinem.

Para mais reflexões sobre a forma como se pode resistir à descaracterização de um país do qual se suga a passos largos a identidade das comunidades que o constituem, aconselho vivamente este artigo de Augusto Santos Silva do qual não resisto a citar a última alínea:

(...)o mesmo Governo que havia invocado a Alta- Autoridade para impedir a fiscalização parlamentar do caso Marcelo chama-lhe agora um "cadáver". Eis, pois, a teoria constitucional do santanismo: sim à liberdade de opinião, se não for contra nós; sim à independência dos órgãos de regulação, se deliberarem a nosso favor. E ainda há quem se sinta descansado....

sexta-feira, novembro 19, 2004

Memórias em vinil dedicadas à Vermelha...

Dão nas vistas em qualquer lugar
Jogando com as palavras como ninguém
Sabem como hão-de contornar
As mais directas perguntas

Aproveitam todo o espaço
Que lhes oferecem na rádio e nos jornais*
E falam com desembaraço
Como se fossem formados em falar demais

Demagogia feita à maneira
é como queijo numa ratoeira


P'ra levar a água ao seu moinho
Têm nas mãos uma lata descomunal
Prometem muito pão e vinho
Quando abre a caça eleitoral

Desde que se vêem no poleiro
São atacados de amnésia total
Desde o último até ao Primeiro
Vão-se curar em banquetes, numa social

Demagogia feita à maneira
é como queijo numa ratoeira

letra e música, Luís Pedro Fonseca
do álbum Perto de ti, Lena d'Água e Atlântida

*na rádio, na tv, nos jornais... quanto mais se fala, menos se vê...

We're sorry!

Apesar de já lhe ter sido feita referência no Renas e Veados, não podia deixar de mostrar também aqui este blogue.


Isto é serviço público!

A Antena 1 acaba de passar, muito a propósito, "Demagogia", dos Salada de Fruta...
Quem se lembra da Lena d´Água nos anos 80?
Pena não ter encontrado a letra na net...
Alguém a tem?

Os anos passam mesmo...

Sara, eu também era uma menina loirinha de olhos azuis e cabelo aos caracóis. ;)




quinta-feira, novembro 18, 2004

As pequenas coisas


Fotografia de Rodrigues


No podemos saberlo

No podemos saberlo. Nadie lo ha dicho.
Quizás allá no quede más que una red desfondada,
cuatro sillas de paja desflecadas y una galleta vieja
mordida de ratones. Es posible que Dios sea un ratón
y que corra a esconderse tan pronto nos vea entrar.
Y es posible que en cambio sea esa galleta vieja
mordisqueada y mohosa. No podemos saber.

Quizá Dios tiene miedo de nosotros y escape, y largamente
deberemos llamarlo y llamarlo con los nombres más dulces
para inducirlo a volver. Desde un punto lejano del cuarto
él nos mirará fijo, inmóvil.

Quizá Dios es pequeño como un grano de polvo,
y podremos verlo solamente al microscopio,
minúscula sombra azul detrás del cristalito, minúscula
ala negra perdida en la noche del microscopio,
y nosotros allí en pie, mudos, contemplándolo, en vilo.
Quizá Dios es grande como el mar, y lanza espuma y truena.

Quizá Dios es frío como el viento de invierno,
tal vez brama y retumba en un rumor que ensordece,
y deberemos llevar las manos a los oídos,
y agachados, temblando, replegarnos al suelo.
No podemos saber cómo es Dios. Y de todas las cosas
que quisiéramos saber, esta es la única verdaderamente esencial.

Quizá Dios es tedioso, tedioso como la lluvia
y aquel paraíso suyo es un tedio mortal.

Quizá Dios tiene anteojos negros, un echarpe de seda,
dos mastines a los flancos. Quizás use polainas
y está sentado en un rincón y no dice palabra.
Quizá tiene el pelo teñido, una radio a transistores
y se broncea las piernas en la terraza de un rascacielos.
No podemos saber. Ninguno sabe nada.
Quizá no bien lleguemos nos mandará al espacio
a comprarle pan, salame y una damajuana de vino.

Quizá Dios es tedioso, tedioso como la lluvia
y aquel paraíso suyo es la consabida música
un revolar de velos, de plumas, y de nubes
y un aroma de lirios y un tedio de muerte,
y cada tanto una media palabra para pasar el tiempo.
Quizá Dios es dos, una réplica de esposos
librados al sopor de una mesa de hotel.

Quizá Dios no tiene tiempo. Dirá que nos vayamos
y volvamos más tarde. Nosotros nos iremos de paseo,
nos sentaremos sobre un banco a contar trenes que pasan,
las hormigas, los pájaros, las naves. De aquella alta ventana
Dios se asomará a mirar las calles y la noche.

No podemos saber. Nadie lo sabe.
Es posible incluso que Dios tenga hambre y nos toque saciarlo,
quizás muere de hambre, y tiene frío, y tiembla de fiebre,
bajo una manta sucia, infestada de pulgas
y deberemos correr en busca de leche y de leña,
y telefonear a un médico, y quién sabe si a tiempo
encontraremos un teléfono, y la guía, y el número
en la noche demente, quién sabe si tenderemos suficiente dinero.


Natalia Ginzburg

quarta-feira, novembro 17, 2004

Todos sabemos escrever hipotermia




Todo el mundo sabe escribir hipotermia

La foto, aparecida en el suplemento que publican conjuntamente EL PAÍS y The New York Times, ilustraba un reportaje sobre el hambre en el mundo. La anciana del turbante agujerado, que quizá no tenga más de 35 años, es somalí y está masticando un pedazo de piel de camello del que no es probable que obtenga ninguna caloría, aunque, si lograra tragárselo, apaciguaría durante unos instantes el motín que se ha producido en sus entrañas. El hambre, que en el estómago de usted o en el mío no pasa de ser una sensación, en el de esta mujer es un lobo que aúlla desde los intestinos y al que hay que engañar con cualquier cosa (una raíz, una bola de barro, una corteza…).
Las técnicas para aliviar las dentelladas del hambre varían, según el citado reportaje, de unos a otros países. En Eritrea, las mujeres se atan una piedra plana al vientre para atenuar las convulsiones; las madres de muchos países africanos ponen al fuego una sartén con piedras y dicen a los niños que la comida está haciéndose para ver se quedan dormidos mientras aguardan; en Haití son muy frecuentes las tortas de barro, cuyo valor energético es el mismo que el de un paño de cocina recién lavado, pero que proporcionan sensación de plenitud mientras la tierra da vueltas dentro del estómago.
La cantidad de energía que tienen los alimentos se mide en calorías. Una bolsa de basura de usted, o mía, recibe en unas horas más calorías que las que llegarán al estómago de la mujer de la foto a lo largo de su existencia. Los inmigrantes que se juegan la vida en el Estrecho no buscan otra cosa que calorías. Mientras usted y yo nos buscamos a nosotros mismos, porque tenemos problemas existenciales, ellos arrojan su documentación al mar para no ser repatriados. Cambian identidad por calorías y vienen en busca de ellas como en otro tiempo se iba a Alaska en busca de oro. La fiebre del oro estaba alimentada por los delirios de grandeza; la de la caloría solo busca acallar al lobo y obtener la cantidad de energía mínima para seguir tirando, incluso a costa de olvidar quién se es. Muchos inmigrantes gastan sus últimas calorías en atravesar el Estrecho. Por eso llegan a las playas exhaustos, cuando no muertos, y ateridos de frío. Ninguna palabra se había puesto tan de moda en tan poco tiempo como hipotermia. Sale en todos los telediarios siete u ocho veces y hasta los niños saben escribirla, aunque tenga una hache.
Quiere decirse que todos mienten, desde el FMI al Banco Mundial, pasando por las decenas de organismos internacionales creados para resolver cosas. Si se puede llenar el Tercer Mundo de armas que pesan como el diablo, ¿cómo no se va a poder llenar de calorías? Por el precio que cuesta trasladar un tanque, se podría hacer caer sobre África un maná energético. Bastaría que se hubieran exportado a África la mitad de frutos secos que de balas para que esta mujer no estuviera tratando de ablandar con los dientes la piel de un camello (¿Dónde estará, por cierto, a estas alturas, el camello?). Debería ser más fácil hacer una transferencia de calorías que una transferencia bancaria. Pero por la bancaria cobran comisión, así que son rentables. El mundo es una mierda.


Artigo publicado no El País,a 30 de Agosto de 2004, na coluna semanal do escritor, intitulada “Pié de foto”.

Momento vegetal amarelo em quarto de hotel

Repetição do Herman SIC, esse bastião da televisão sem substância e do narcisismo de alguém que já foi um grande comediante, ontem à noite, não sei por alma de quem. Em entrevista, José Pedro Gomes, Pedro Laginha e Carlos Paca, actores da peça Laranja Azul. Extractos interessantes:

Herman: Então, tu [Zé Pedro Gomes] és psiquiatra e temos o maluco branco e o maluco preto?...
José Pedro Gomes: Não, temos o maluco preto e os dois médicos brancos... que também não batem muito bem da mona. [risos]

(...)

Pedro Laginha: Já é a segunda que faço com o Zé Pedro, de seguida... não é para qualquer um. [risos]
H: Qualquer dia temos um casal assumido nas revistas...
JPG: Nós dois e o nosso maluco com a sua laranja. Vai-se a ver e ele ainda é nosso filho.
H: Pois, ficou foi tempo demais no forno e saíu um bocado queimado...
[risos amarelos]

(...)

Carlos Paca [irónico]: Afro-português, já não se diz "preto".
H [a ironia a passar-lhe toda ao lado, a ofensazita de lhe terem respondido a emergir, vitoriosa]: Pois, eu acho que só os racistas é que procuram formas de amenizar. Quem não é racista diz preto, percebeste, ó preto? Vá, pirem-se lá daqui.

Mas se o Herman fala verdade e não é racista, então esta tristeza só vem confirmar aquilo que a patética conversa com Cláudia Jardim acerca do espectáculo Urgências confrangedoramente mostrou: Herman José, ao contrário do que muitos dos seus trabalhos poderiam fazer pensar, é um homem triste e básico que não tem a noção das consequências das suas palavras e acha normal discorrer longamente e recorrentemente sobre características físicas da pessoa que tem à frente. Na minha terra isso tem um nome, falta de respeito. Na minha cabeça tem outros: tacanhez, mesquinhez, estupidez. E tenho pena, acreditem que tenho.

Hoje estou sentimental...

Por norma não gosto de referir aqui nomes completos de pessoas com quem tenho alguma ligação próxima, pessoal e/ou profissional. Mas hoje não quero saber, apetece-me gritar ao mundo [que bonito, são assim, as paixões...] que o Jeff Cohen, o João Henriques e o Ricardo Pais são as pessoas com quem eu mais gosto de trabalhar neste país, senão no mundo [o meu, pelo menos]. E pronto.

P.S.
Eu não digo que quando venho ao Porto está sempre um sol maravilhoso?...

segunda-feira, novembro 15, 2004

A propósito das maravilhas com que se prolonga um quinto grau antes da resolução no final do primeiro andamento da 1.ªSinfonia.

Antes de no ocidente se falar em sexo tântrico, já existia Beethoven...

A idade, a idade... [parece-me que já li uma coisa parecida...]

Hoje de manhã fui a mais um casting, ossos do ofício... O descritivo falava de "uma rapariga de 30-35 anos". Por um lado, com 28 anos já caibo, para o écran, na faixa dos 30-35. A boa notícia é que pelo menos até aos 35, 11 meses e 30 dias, ainda somos raparigas...

sábado, novembro 13, 2004

Sem Comentários...

"Os segundos mandatos servem para corrigir os erros dos primeiros"

Jorge Sampaio, comentando a reeleição de George W. Bush, SIC Notícias
in SÁBADO

Eu confesso que, por breves instantes, julguei estar a ler o Inimigo Público numa secção particularmente inspirada. Mas não. Pelos vistos era a sério.
E que grande correcção que nos deste a todos, ó Jorge...

Éter-nidade



Pequeno paira
sem imaginar que imaginando
segurar os pés no chão
pairará na imaginação.

quinta-feira, novembro 11, 2004

Um hurra! pela vitória do BEM...

...ou, como diz o Miguel, pela preferência por homens de bigodinho.


"O Presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu ontem o ex-primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, numa entrevista sublinhada pelos analistas como longa, quando não só ignorou como não retribuiu as felicitações pela reeleição que lhe dirigiu o actual chefe do Governo de Madrid, José Luís Zapatero."

visto no Resistente

quarta-feira, novembro 10, 2004

Parabéns, camarada Barreirinhas!
ou
Queriam posts? Agora não se queixem...
ou
Desova mesmo a pedir para o pessoal do costume vir sobre diferentes nicks deixar o seu veneno, que está sempre doidinho por espichar [a caixa está aberta, pessoal!]




Tive o prazer de falar contigo três vezes - bom, não vamos contar o facto de me teres visto em vários estádios, dos cueiros à infância e finalmente à voluntariosa adolescência, ambos sabemos que não passa de uma herança de família [e eu não sou nada patriarcal...] e para ti poderá ser, se ainda restarem imagens, sons ou palavras, uma pequeníssima memória. Prazer, é mesmo a palavra. Não digo privilégio, pois se para mim, há mais de dez anos atrás, foi tão fácil chegar a ti e conversar, não posso chamar privilégio a algo que era tão acessível. Seria mentira. Nunca foste um mito, ou melhor, nunca te comportaste como se tal tivesse qualquer importância. Sonhaste e seguiste o teu sonho, esbarrando e tacteando, como todos nós. Pensaste, criaste, lutaste, partilhaste. Um homem do renascimento que a luta proletária engoliu sem apelo - no (in)consciente colectivo português, pelo menos. Fazes-me pensar, tu e pessoas como tu, Álvaro, nas escolhas que fazemos e nos porquês de as fazermos, em como somos tão livres e tão limitados. Fazes-me pensar, olhando hoje em volta, em qual dos braços é mais forte, o da pena ou o da espada, o do pensamento ou o da acção. Fazes-me pensar se teremos nós, humanos, intrinsecamente, a capacidade de viver sempre de acordo com o que consideramos digno e justo, pesem embora os limites da consciência, dos dias e das horas. Fazes-me pensar no que é mais urgente, a luta ou a arte, e no que as distingue realmente.

Foi um prazer, sempre, conversar contigo. Foi um prazer olhar-te nos olhos e ver sempre brilho, curiosidade, empatia, inteligência. Ouvir-te falar, falar contigo e ver que me ouvias, que olhavas atento para uma miúda no fim do secundário que sentia o peso do mundo todo nos ombros. Acho que é isso que nunca esquecerei. Os nossos caminhos não são o mesmo, mas sem o teu não sei se este meu atalho seria o que é. Aliás, sei. Seria outro, Forçosamente, seria outro.

Hoje fizeste noventa e um anos. Mas nunca mais me cruzei contigo, vives na tua simplicidade, no teu canto, quando morreres a diferença quase não se sentirá. Mas às vezes entristece-me saber que não me despedirei de ti.

Parabéns, camarada.

quinta-feira, novembro 04, 2004

Dúvida

Há anos que me acompanham diversas dúvidas sobre o que torna democrática uma eleição - ou um referendo. Face a mais um capítulo na história dos mastins da democraciazinha, atrevo-me a perguntar novamente: o que raio existe de democrático nesta eleição?

Uma coisa me consola: o problema dos americanos não é estupidez, antes uma questão logística.

Para lá do espelho

Os meus neurónios devem andar a correr, fazendo requisições e requisições de dopaminas para manter cá o Manel minimamente próprio para consumo. Ou seja, não ando enervado, não tenho gritado com ninguém, cruzei-me com pessoas de quem gosto, passei a parte mais significativa do dia a sorrir. Excelente balanço para um day after. Tentei esquecer-me de que o mundo está pendurado num arbusto, mas os olhos mantiveram-se abertos para os porquês. E é definitivo: vivo numa cidade para lá do espelho, capital orgulhosa do reino de copas. Na estação de metro do Campo Pequeno dá-se início ao passeio por mais esta província da larga Oceania - os écrans estão vazios, mas a música compulsiva a cada dia está mais alta e agressiva. Eustáquio encolhe-se sob a impertinente má qualidade do som e o cérebro tenta resistir ao entorpecimento defensivo que quer alastrar. You can run, but you can't hide, Big Brother has its own well-aimed playlist. Só apetece gritar: POR FAVOR, SÃO DEZ DA MANHÃ E ESTA MERDA NÃO TEM BOLA DE ESPELHOS!!!

O metro é um aquário. Temos tudo. Velhos novos e assim assim, cegos aleijados e assim assim de esmola feita rotina diária e sobrevivente, gente de olhos no chão, gente de olhos gentis, gente de olhos feios, gente de olhos invasores. Gente que se marimba para os avisos de que não se pode fumar nas estações de metro. Gente que vive da fuçanguice de passar à frente, empurrar, empatar, barrar saídas como se vivesse só ou o mundo só para si. Gente que se cala, gente que responde. E vários takes da mesma cena e cenas especiais. Na linha do meu olhar estão um homem e uma mulher jovens, de pé, alapados um ao outro, olhando-se, falando, beijando-se, sorrindo, cientes de que nós em volta não existimos realmente, só eles. Mais o homem que a mulher, que por um momento se apercebe de que está a ser observada e começa a dividir um pouco a sua atenção. Cá está um ponto em que o desenvolvido sexto-sentido feminino só atrapalha. Concentra-te lá na tua vida, rapariga, que te importa o que eu possa estar a pensar? De qualquer modo agora fazes parte de um plano maior, pois à minha frente senta-se um casal no início da terceira idade. Falam ao ouvido um do outro, mas não são juras de amor, senão um recurso para não terem de berrar para se ouvirem na carruagem apinhada. Momento formidável, esta diagonal entre estes dois casais. Um parece o resultado do outro, não sei é qual é a fonte qual é o produto. A mulher sentada à minha frente tem um rosto gravado de escura perplexidade, o olhar dorido, as mãos sem parar de se torcer lenta e mutuamente. Olho para as minhas mãos, são finas, como as dela, mas a pele está limpa de manchas e do azul forte das veias. Re-olho as suas - o retrato antecipado das minhas. E sorrio. São bonitas, aquelas mãos. Mais bonitas seriam se não se torcessem tanto. Ora cá está algo, se nada mais houver, que está no meu poder evitar, se não tudo, pelo menos o mais importante - que tremam as minhas mãos velhas, mas que não se torçam e serei uma velha feliz.

Passar na Catarina e no Zé para almoçar e recolher a correspondência que ainda vai para a morada antiga e que estes meus eternos vizinhos do café fazem o favor de guardar para mim. Está mau, isto. Comida boa, preços jeitosos e à uma e meia da tarde a sala vazia. A Catarina encolhe os ombros, desalentada. Quando parece que está a estabelecer-se um padrão, muda tudo. Isto está difícil para toda a gente, é a verdade, não é? E o outro ganhou as eleições. O mundo está do avesso, se bem que não creio alguma vez ter visto o direito. Acho que isto é double face.

Tempo para matar, avenida para descer a pé. Está difícil. Mais tarde lerei no Público que é na Liberdade que se respira pior em Lisboa. Cá para mim não há beco que destrone a Barão Rainha do Escape Sabrosa, mas os senhores dos medidores lá saberão. E se querem saber, faz todo o sentido que por cá se respire mal na Liberdade. Começa a parecer-me que não temos de facto muito apreço por ela, é justo que não se respire. Não vamos nós ficar mal habituados. Frente à Estação do Rossio tenho de correr a pontapé um sabujo do Clube Midas que, abusando da minha dificuldade em ao terceiro "Não" ignorado voltar as costas a quem quer que seja, quer morder-me as canelas e arrastar-me à força para um "esclarecimento sobre os produtos na área do Conforto, Saúde e Inovação [hã?]" disponibilizados pelos capatazes dos seus capatazes. Vendo o sabujo em dificuldades, o capataz ataca e tem de levar com um inquérito sobre cultura cinéfila: Já viu Os pássaros, do Hitchcock? É o que a vossa abordagem me faz lembrar. A resposta que levo é que vi o filme demasiadas vezes. Despeço-me com uma leve gargalhada amarela [sim, também as há] a pensar para comigo que pelos vistos vi o filme vezes de menos, ou nem sequer estaria a ter esta estúpida conversa.

E pela segunda vez hoje o Chiado, o Bairro, a Bica, a aldeia onde há tantos anos vivo e nunca morei. Despachadas as tarefas da tarde, reafundo-me no metro. O cinzento adensa-se e no topo das escadas rolantes, abrigado dos inconstantes aguaceiros, o violoncelista que por vezes se apresenta no décor fornecido pela Benetton do Ramiro Leão toca o tema d'A lista de Schindler. Surreal, quando me preparo para me juntar ao rebanho que se empurra nas escadas rolantes, bloqueadas a meio por um grupo de miúdas aparentemente ligadas por um invisível e enervante cordão umbilical, provavelmente feito de meias Calzedonia. O problema destas situações é que para não se ser desagradável é preciso respirar fundo. E respirando fundo inala-se o todo o fumo lançado para o ar pelas ditas meninas. Felizmente tenho um apressado que à minha frente vai resmungando "com licença" e eu só tenho de aproveitar o corredor da morte por ele aberto.

E agora aqui estou, passando despercebido à rainha de copas, escrevendo às vezes por meias palavras. Que é para me ir habituando.

Frodo não conseguiu...



Retirado de el sur del sur.

quarta-feira, novembro 03, 2004

Hoje, enquanto falava sobre o povo americano, descobri que conheço imensas palavras feias.

Acordem-me só para dizer que o Kerry ganhou

APELO URGENTE

Descobri esta página. Não me parece brincadeira.
Leiam, por favor, e divulguem.
Obrigada.

terça-feira, novembro 02, 2004

Déjà vu...

Parece que a sorte do mundo se decide na Florida, não é? Novamente...

No more blood for oil

Ver Mosh, de Eminem, AQUI.